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SEGURANÇA

Um Dia dos Pais triste

14/08/2016 15:46
Foto por Daniel Búrigo (Foto: Daniel Búrigo) Clique para Ampliar
Talise Freitas

Esse Dia dos Pais não será de comemoração para o vigilante Oseias Macedo. O jovem é pai do menino Flávio Henrique Nunes de Lima, de seis anos, encontrado morto em um galpão nos fundos da casa dos avós, no município de Restinga Seca, interior de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, na última terça-feira. A causa da morte da criança, natural de Criciúma, foi por asfixia. Também há indícios, ainda não comprovados, de violência sexual. O principal suspeito do crime, o tio-avô do menino, de 57 anos, foi preso horas depois. Ele já tem antecedentes por violência sexual contra pelo menos duas vítimas da própria família.

Há um ano e nove meses, após a separação do casal, Flávio Henrique foi levado pela mãe até a casa dos avós, no estado gaúcho, sem autorização do pai, que queria ficar com o filho em Criciúma. Porém, a mulher não ficou junto ao filho. Aqui, o menino estudava no Bairro Santa Luzia e se dividia entre a casa do pai e da mãe. Até aí, aparentemente nenhum grande problema, porém o novo relacionamento de Macedo, e a chegada também de um novo filho, teriam sido os motivos que enfureceram a ex, que teria procurado se vingar tirando o menino do convívio do pai com a nova companheira. Neste tempo ele não teve mais nenhum contato com a ex. "Ela sumiu, chegou a trocar até o telefone, trabalho, endereço. Tanto que fiz o registro do Boletim de Ocorrência", emendou.

Os pais de Flávio Henrique moravam no estado gaúcho e vieram em 2009 para Criciúma em busca de melhores condições financeiras quando ela ainda estava grávida de nove meses, sendo que deu à luz no Hospital São José. Para resolver o conflito envolvendo a criança, Macedo buscou, via Justiça, obter a guarda do filho, mas foi insuficiente, conforme ele.

"Não tinha condições de pagar R$ 5 mil a um advogado e sempre quis resolver via Justiça. Eu quis ir lá, mas não quis me envolver em confusão, pois há algumas pessoas 'barras pesadas'. Porém, via Justiça, um ficava empurrando a responsabilidade para o outro, e nada resolvido. Tanto que lá meu menino quebrou a bacia e ninguém soube. Mas consegui o apoio de um colega da área que me ajudou por um preço mais acessível, e quando estava em vias de ser resolvido, com o início do processo, aconteceu esta tragédia. Já tínhamos a busca e apreensão, toda documentação necessária, tudo prontinho, mas não deu tempo. Vi meu filho, pela última vez, em dezembro de 2014, e depois, só no caixão", disse o pai da vítima. 

Vídeo para fazer
homenagem

Macedo atendeu a reportagem, em casa, no Bairro Próspera, na noite de sexta-feira, e mostrou diversas fotos e vídeos do menino. Mostrou também objetos do filho, como o material escolar, a bicicleta, roupas, dentre outros, e também uma caneca personalizada pelo menino entregue em um Dia dos Pais com os dizeres "pai, eu te amo". "Isso aqui é tudo para mim. É o meu troféu", exclamou. "Estava tudo guardado, esperando ele voltar. Até já estávamos fazendo algumas mudanças na casa para ele ficar mais confortável aqui", completou.

"Cuidava de um sítio e comprei uma ovelha para ele, que gostava muito de animais. Eu dava aula de luta, ele era nosso mascote. Gostava muito de luta, seria um lutador. Aqui ele ficou também  conhecido como o menino do arrocha, porque adorava dançar. Não podia ouvir uma música. Era atração de todas as festas, sempre alegrando a todos", recordou, mostrando os vídeos no notebook, ainda sem acreditar muito no que aconteceu. Ele está reunindo fotos do filho para fazer um vídeo. "Será uma homenagem". A foto mais recente que ele tem do menino foi tirada há dois meses. Flávio Henrique estava com um par de tênis, o mesmo que foi encontrado após o crime.

"Tenho tentado achar uma explicação, mas não consigo entender. Quero que a Justiça olhe como um todo. Os avós cuidavam bem do menino, mas para mim houve negligência. Como deixar um homem que já tinha abusado de outras crianças perto do meu filho?", indagou. A notícia da morte veio de uma ligação, da mãe do menino. No velório e enterro, em Restinga Seca, na quarta-feira, somente o avô do menino conversou com Macedo. "Ele me explicou tudo que aconteceu. Estava também em estado de choque. Meses antes, comecei a sentir algo ruim, pressentido algo. Hoje, acredito que ela [mãe] tenha ficado com a consciência pesada. Esses últimos dias estão sendo bem complicados, mas tento me apegar ao lado bom, ao bem que meu filho me fez", declarou.

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