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SEGURANÇA

Depósito de loja destruído por incêndio não tinha alvará

17/05/2017 15:26
Foto por Daniel Búrigo (Foto: Daniel Búrigo ) Clique para Ampliar
Talise Freitas

O depósito da loja de móveis e eletrodomésticos De Luca, na área central de Içara, que foi totalmente destruído em um incêndio no início da tarde de quarta-feira da semana passada, não tinha alvará do Corpo dos Bombeiros, que prevê tanto o projeto como o Habite-se.

Segundo o subcomandante do pelotão do Corpo de Bombeiros de Içara, tenente Arthur Eugênio da Silveira Júnior, também foi verificado que não havia sido repassada nenhuma solicitação de vistoria. O incêndio resultou em uma morte.

O oficial acredita que o depósito também não possuía alvará por parte da Prefeitura, pois, para isso, é necessário também passar pela corporação, haja vista que ambos atuam em forma de convênio.

"Era uma estrutura bastante antiga. O que conseguimos detectar é que havia parte do que exige o sistema preventivo, como a presença de extintores, mas não é possível afirmar se estavam realmente funcionando", coloca.

Pelo menos até ontem, não havia chegado ao quartel nenhuma solicitação acerca da existência, ou não, do alvará por parte da Polícia Civil, que já instaurou inquérito policial. O delegado Rafael Iasco informou em entrevista, ainda na semana passada, que a conclusão do laudo realizado para constatar o que motivou as chamas será determinante para o resultado do inquérito policial.

"É ele quem irá apontar a causa do incêndio e nortear se alguma pessoa deverá ser imputada, dependendo, até por homicídio culposo. Além de aguardar o resultado da perícia, os colegas de trabalho da vítima que estiveram naquele local e o proprietário do galpão prestarão depoimento. Este deverá apresentar a documentação apontando se tudo estava regularizado, nas normas do Corpo de Bombeiros", relatou a autoridade policial.

O resultado da perícia deverá ficar pronto em 20 dias.

"Por enquanto não temos nenhuma suspeita do que pode ter ocorrido. O local ficou bastante destruído, sendo realizada a perícia por meio de coleta de material, fotos e vídeos. Tudo isso foi para análise. O que sabemos é o local onde o incêndio começou", disse o tenente. Ele ressalta ainda que não é possível saber se a porta do galpão onde o corpo do trabalhador foi encontrado estava fechada. "A porta já estava destruída pelo fogo, derrubada", emendou.

"O corpo foi encontrado próximo à porta, mas também não podemos confirmar se ele estava tentando sair do local. O que posso dizer é que pessoas o ouviram gritar por socorro", relatou o oficial.

Esses, dentre outros pontos envolvendo o incêndio, só serão possíveis confrontar com o resultado da perícia.

"O que nos entristece muito é ouvir pela cidade alguns boatos acerca do nosso trabalho. Chegaram a dizer que o trabalhador morreu porque demoramos mais de meia hora para chegar. Após sermos acionados, chegamos em quatro minutos, e isso posso provar. Temos todo o controle, a partir do chamado e quando chegamos ao local", lamenta.

Por conta de diversas informações, não confirmadas pela corporação, familiares da vítima chegaram a procurar o quartel. "Infelizmente tem pessoas que desconhecem o nosso trabalho e divulgam o que não condiz com a realidade. A família da vítima veio até aqui questionar algumas informações. Pessoas chegaram a dizer que chegamos ao local com o caminhão vazio de água. Bombeiro não anda com caminhão de combate a incêndio vazio, sem água. O que houve foi que, em um determinado momento, viram o hidrante ser utilizado para abastecer o caminhão para que não faltasse água antes da chegada de reforço", esclarece.

O tenente também informou que, dentre outros boatos, pessoas disseram que a bolsa da vítima foi encontrada na rua. "Ela foi encontrada na parte de dentro e por um momento colocada na rua para não ficar em meio aos destroços", diz.

Série de vistorias iria começar no mesmo dia

Na terça-feira da semana passada, um dia anterior ao incêndio, houve uma reunião com o setor de atividade técnica da corporação para definir uma série de vistorias em todas as edificações, incluindo comércio, indústrias e residências multifamiliares.

O trabalho preventivo e de fiscalização iria começar já no dia seguinte, na quarta-feira. "Mas todos foram mobilizados para esse incêndio. Infelizmente não tivemos tempo de fiscalizar o depósito. Estamos fazendo nossa parte, mas entendo que a preocupação também tem que ser de cada proprietário", frisa.

As vistorias ocorrem na área central de Içara e irão se estender aos bairros. Como a área de abrangência dos bombeiros de Içara também compreende o Balneário Rincão, as edificações do município litorâneo também serão vistoriadas.

"Detectadas irregularidades e ausência de algum tipo de sistema preventivo, vamos notificar e dar um prazo. Não obedecido esse prazo e, por consequência, não regularizado, vamos usar nosso poder de polícia e interditar o local", alerta.

À espera
do DNA

Familiares de Maureci de Anacleto, de 37 anos, já compareceram na semana passada ao Instituto Médico Legal (IML) de Criciúma para coleta de material genético. O objetivo é confrontar com o da vítima, encontrada carbonizada, para identificação oficial. O exame foi realizado pela compa-nheira e pelo filho de Maureci. Morador do Bairro Pedreiras, em Balneário Rincão, ele trabalhava há três meses como motorista.

O material genético foi enviado ao Instituto de Análises Forenses (IAF), que pertence ao Instituto Geral de Perícias (IGP), em Florianópolis, e o resultado do exame deverá ser concluído somente daqui a algumas semanas. Só então, com a identificação oficial do órgão responsável, os restos mortais serão liberados à família para os procedimentos fúnebres.

Em sua página no Facebook, a Loja De Luca emitiu uma nota de esclarecimento também na última semana.

"Viemos, por meio de nossas redes sociais, esclarecer que lamentamos muitíssimo o ocorrido. Os elevados danos materiais, neste momento, tornam-se pequenos diante da perda de um de nossos funcionários. Pedimos, portanto, respeito à família da vítima desta tragédia, aos demais funcionários da empresa e a própria empresa. Neste momento, tudo que nos cabe está sendo feito, desde o auxílio à família da vítima, bem como às investigações", constou o comunicado.

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