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SEGURANÇA

Depois do susto, o reencontro

10/01/2018 08:43
Foto por Lucas Sabino (Foto: Lucas Sabino) Clique para Ampliar
Francine Ferreira

O que era para ser um fim de semana comum na vida do casal Joilson Lopes Pereira e Mabile Rodrigues, ambos de 29 anos, se transformou em um início de pesadelo na noite do último sábado, quando a filha Sara Rodrigues Pereira, de apenas dois anos e seis meses, passou mal e ficou sem respirar.

O fim dessa história poderia ter sido trágico se os pais não tivessem procurado auxílio no posto da Polícia Militar Rodoviária de Cocal do Sul. Desesperados, eles contam que depois que a filha teve uma convulsão e parou de respirar, não sabiam muito o que fazer. “Na hora a gente fica cego, não vê nada. Peguei a Sara no colo e saímos rápido, meu único pensamento era ir até a polícia pedir ajuda, porque sabia que de alguma forma eles podiam nos auxiliar, fosse com os primeiros socorros ou abrindo caminho para chegarmos ao hospital”, completa a mãe.

Com o marido dirigindo o automóvel, Mabile lembra que chegou no posto gritando e viu um policial que estava saindo do trabalho. “Juntamente com outro policial, prontamente nos ajudaram, pegaram ela dos meus braços e disseram para entrarmos no carro para irmos rapidamente buscar ajuda médica. Eu não sabia o que fazer, vinha um filme na minha cabeça”, afirma.

Ocorrência única

Os policiais militares rodoviários de Cocal do Sul envolvidos no socorro foram o sargento Murialdo Romancini de Souza, que trabalha há 20 anos na corporação, e o soldado Giliarde da Silva Tachinski, há seis anos e meio atuando como policial. Na tarde de ontem, eles visitaram a família e tiveram a oportunidade de conviver um pouco mais com a menina, que se recupera bem e não economiza nos sorrisos e brincadeiras.

Para o sargento Romancini, a noite de sábado seria mais uma comum de trabalho, com a realização de uma blitz de fiscalização de trânsito em frente ao posto da Polícia Militar Rodoviária (PMRv). “Estávamos trabalhando quando essa mãe chegou desesperada, dizendo que a filha dela não estava respirando. Na hora, pedi que ela colocasse a menina no banco da viatura para que eu checasse os sinais vitais. Vendo a gravidade da situação, com o grande auxílio do soldado Tachinski, que foi no banco de trás com a criança e a mãe, assumi a direção do veículo e fomos em direção ao Hospital São José”, relembra.

No momento, chovia consideravelmente, o que dificultou ainda mais o transporte. “Só saímos do posto da PMRv e eu comecei a andar com alguma velocidade mais alta por conta da gravidade do caso. Como estava chovendo bastante, tive que ter um cuidado ainda maior, porque estava como responsável, além da menina, também por todas as vidas que estavam dentro da viatura”, argumenta Romancini.

Durante todo o caminho, o soldado Tachinski tentava, de alguma forma, reanimar a criança, principalmente com massagem cardíaca. “A mãe estava muito nervosa, mas pedi calma e para ela permanecer chamando a filha. Depois de muito tentar, já quando estávamos próximos ao hospital, recebi um presente maravilhoso, a Sara voltou a respirar um pouco. Depois disso, o momento que eu realmente nunca vou esquecer foi quando sai da viatura e comecei a ir em direção à entrada do hospital. Nesse exato momento a menina começou a se mexer. Eu pensei que era alguma outra convulsão, mas quando finalmente olhei, vi ela abrindo os olhinhos novamente. Foi um dos instantes mais especiais da minha vida”, desabafa.

O soldado ainda acrescenta que, mesmo já saindo para ir embora depois do seu plantão, no sábado à noite, não pode deixar de ajudar. “Às vezes as pessoas pensam que o policial não tem coração e sentimentos, mas nós somos homens com famílias. Quando vi aquela mãe chegando, fiquei com o coração apertado e soube que, naquele momento, éramos o único recurso que ela tinha para tentar salvar a filha. Ela confiou em nos entregar a menina, então não tive como não ajudar”, reforça Tachinscki.

Depois de dar entrada no Hospital São José, receber os primeiros cuidados médicos e ser inicialmente estabilizada, Sara foi encaminhada ao Hospital Materno Infantil Santa Catarina, que é a unidade especializada no atendimento à crianças na região. Ela ficou em observação até à noite do último domingo e, depois, foi liberada para se recuperar totalmente em casa, com a família.

Dever cumprido

Depois que tudo passou e da visita feita na tarde de ontem, que confirmou que a menina está mais saudável e se recuperando bem, o sentimento que fica para os policiais é o de alívio e dever mais do que cumprido.

“São nesses momentos que tenho a certeza que escolhi a profissão certa. Qualquer coisa que eu fale não vai conseguir descrever o sentimento que tivemos na hora, só quem passou sabe. Tenho um filho da idade da Sara, então mesmo que não seja diretamente com a gente, passa uma história na cabeça. Poder abraçar ela, agora bem, foi muito gratificante”, ressalta o sargento da PMRv.

Por fim, o soldado Tachinski conclui agradecendo a confiança depositada na Polícia Militar Rodoviária. “Vendo a Sara hoje já 100%, toda simpática e sorridente, só tenho a agradecer. Primeiramente à Deus, por ter permitido que conseguíssemos salvar essa menina; também à mãe dela, pela confiança em dar a própria filha para nós cuidarmos; e à todo cidadão que, diariamente, confia no trabalho desempenhado pela PMRv”, finaliza.

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