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SEGURANÇA

Criciúma registra mais de um estupro por semana

18/05/2017 18:32
Foto por Divulgação (Foto: Divulgação ) Clique para Ampliar
Talise Freitas

Contra seres indefesos, geralmente cometido dentro da própria casa, praticado em via de regra por uma pessoa próxima e abominável até no sistema carcerário. O estupro tendo como vítimas crianças e adolescentes parece uma realidade distante, mas existe, está mais perto do que se imagina e vem dos lares menos suspeitos.

Para reforçar a luta contra o crime sexual na infância e adolescência, hoje é o dia dedicado ao combate ao abuso e à exploração sexual infantil e os números seguem assustadores.

Somente no primeiro trimestre deste ano, o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) de Criciúma atendeu 18 casos, uma média de mais de um por semana, fora os que não chegam aos órgãos competentes. O registro de abuso sexual lidera o atendimento no Creas. Em segundo vem a violência psicológica seguida da física. 

Conforme a psicóloga Renata Nagel Garbelotto, coordenadora do Creas, a maioria das vítimas são meninas e os agressores, pessoas próximas, como pais, padrastos, avós e até vizinhos.

"E exatamente por esse elo de confiança muitas vítimas acham que não é crime, acreditam ser um carinho qualquer, mas não é. Tem ainda a violência física e psicológica, esta última, inclusive, gera danos enormes e muitas vezes está diretamente associada à alienação parental, quando o pai, mãe ou até os avós colocam a criança contra o outro", explica a coordenadora.

Dos 18 casos já computados nos primeiros três meses deste ano, 15 vítimas têm idades entre zero e 12 anos, ou seja, crianças. Os outros três casos envolvem adolescentes de 13 a 17 anos. Três vítimas são meninos. Renata explica que a maior parte dos casos que chega ao Creas para atendimento e encaminhamento é via Conselho Tutelar e muitos descobertos pelo Disque 100.

"Às vezes quem denuncia é um vizinho, amigo, um colega da vítima para o qual ela acabou contando. O Disque 100 é gratuito, sendo que a ligação pode ser feita até por celular, é sigiloso e encaminhado diretamente à delegacia do município de origem da denúncia", pontua.

Indagada sobre se constato, a cada ano, aumento ou diminuição dos casos, Renata é enfática. "Menos ou mais sempre tem. É um crime que nunca acaba e nem nós entendemos por que existe. Cada caso é um caso. Acredito que hoje em dia, por conta das divulgações em campanhas, as vítimas procuram mais. Quantos desabafos de mulheres adultas já ouvi que também, lá na infância, lá na adolescência, sofreram abuso, mas não tinham a quem recorrer, tinham medo, a família não apoiava, envolvia dependência financeira, enfim. E ainda há casos desse tipo. De encaminharmos vítimas para abrigos porque a mãe não acreditou no que o companheiro fez com a filha. Antes não se falava de violência dentro da família", observa.

A coordenadora reforça que o Creas oferece assistência psicossocial. "É assistência, atendimento à vítima de violência. Descobrir como foi essa violência, se o violador está no mesmo lar, se tem condições de a vítima morar em outro lugar, com outro familiar, se está estudando. Quando, no caso, a mãe não acredita e não há para onde ir, é muito triste porque a vítima é quem é tirada do próprio lar, sendo que ela não cometeu nenhum crime. O certo é retirar do lar o agressor", opina.

As consequências do trauma o qual sofre uma vítima de abuso sexual, que não recebe o atendimento adequado, podem ser extremas.

"Isolar-se do mundo, ter depressão, perder a vontade de viver. A criança ou adolescente que está sendo vítima mostra alguns sinais como irritação, isolamento, sexualidade aflorada e tem baixo rendimento escolar", alerta.

"Damos um suporte desenvolvendo um trabalho social para toda família, não somente a vítima, e asseguramos todos os direitos com os encaminhamentos necessários. Esse é nosso papel", finaliza.

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