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Opinião

sábado | 28/01/2012 06:00:00

Que filhos estamos formando?

| Giovani Felipe | ESCRITOR Estudante Universitário História/UNESC

Umas das Últimas leis aprovadas no Congresso fala da proibição da palmada em crianças. Uma lei respeitável, com seus méritos e valores. A pergunta recorrente do assunto é: que filhos estão formando? Que sociedade está se construindo? Jamais irei defender a violência, jamais iremos promover uma discussão em cima do bater ou não em criança, a discussão é: o que se pode fazer para educar um filho e não o perder para as drogas?
Quando era criança, lá na década de 80, escutávamos um slogan: "No ano 2000 as crianças serão o futuro do Brasil" Todos sabiam que no ano 2000 seríamos adultos. Isto era para as crianças nascidas no início dos anos 80. Hoje aquelas crianças ocupam importantes espaços dentro da sociedade, como: jornalistas, médicos, professores, empresários e profissionais liberais. Realmente o slogan se cumpriu. A maioria daquelas crianças são pais nos dias atuais. Pais que em sua maioria tiveram uma infância, sem muitas opções de eletrônicos, mas com uma criatividade enorme para criar e fazer brincadeiras. As brincadeiras de roda, de ré, os convívios em comunidade e em sociedade eram mais comuns. As amizades verdadeiras surgiam e eram justamente o que motivava sonhos e projetos.
Na maioria, minha geração passou por um período de transformação no Brasil ditatorial, para um país democrático. A geração de 80 cresceu juntamente com o número de violências sociais, cresceu querendo proporcionar para seus filhos condições que na maioria não tinham: conforto e facilidades. Com certeza matemática, 80% das crianças de 80 recebeu dos pais uma palmada. A educação era rigorosa e voltada para o respeito ao mais velho e ao próximo. Palavrinhas mágicas: Bom dia, boa tarde, com licença, a bênção pai, benção mãe era percebida com facilidades no meio das crianças. As reuniões em famílias, em volta da mesa também, o diálogo era comum. Dificilmente se via no noticiário que filho matou pai ou vice-versa. Tudo consequência de uma educação de pulso firme, baseada em um pilar chamado família. Por incrível que pareça, esta geração não deu continuidade ao processo iniciado por seus, ou nossos pais. A começar pela família. A frequência de aniversários de casamentos com bodas de prata e de ouro, que era comum em nossa época, dificilmente será a mesma num futuro próximo. O valor ‘casamento’ e, de certo modo, o valor ‘família’ está sendo deixado de lado e isto é refletido na educação de filhos.
A sociedade presencia uma geração de adolescente altamente violenta, bem diferente da minha geração, que tinha temor pelos pais, pais que eram exemplo de respeito e caráter. Era comum compreender uma ordem com um simples olhar, entendíamos que estávamos errados. Infelizmente hoje não é mais assim. As crianças crescem com uma liberdade e um amor descomunal, com uma proteção por todos os lados e olhares, crescem com pais que perderam, de certo modo, os valores de família, que hoje não é mais a base da sociedade. Assim a pergunta que não que calar. No ano 2020 as crianças continuarão sendo o futuro do país? Acredito que sim, que muitos serão excelentes profissionais, mas cada vez mais, presenciaremos pessoas presas em seus condomínios fechados e mais longe do convívio social. Serão adultos que, como hoje, ficam presos em seus quartos com: computadores, ipad´s, x Box, longe de uma relação comunitária. Que fi-lhos estão se formando, Geração 80? Uma geração que conversava em cima de uma árvore, comendo goiaba, que brincava na correria das partidas de taco e que gastava energia nas peladas com peteca. Uma geração que aprisionou seus filhos e deixou de lado valores familiares. Que filhos estão se formando? Que sociedade está se criando?
A história através dos seus manuais é rica para percebermos as grandes civilizações que surgiram ao longo dos tempos e os feitos de grandes homens de peso. Inspire-se, Geração 80, geração Coca-cola! Está em nossas mãos a construção de homens e mulheres de bem. Está longe de precisarmos de uma palmada para esta formação. Precisamos muito mais do que isto, precisamos é perceber os valores e os ensinamentos de nossos pais.