Entretenimento
Textos: Denis Luciano Fotos: Arquivo / Nei Manique
Os carnavais do passado em Criciúma
Ampliar Imagem
A realidade hoje é outra, absolutamente oposta. Mas em um passado não muito distante, Criciúma usufruiu de célebres desfiles do Carnaval de rua que deixaram marcas registradas, plantaram rivalidades históricas e revelaram talentos. Uma tradição cujas origens são desconhecidas, mas o destino ainda está na memória. "As pessoas começaram a deixar a cidade nessa época e foram para as praias esvaziando o Carnaval, que teve seu auge aqui até o início dos anos 90", lembra o radialista Márcio Cardoso.
Intérprete de escolas de samba e blocos da cidade durante alguns anos, Márcio é testemunha do Carnaval criciumense há 40 anos. Pisou pela primeira vez na então passarela dos desfiles, a avenida Getúlio Vargas, em 1972, com 12 anos de idade. "O Carnaval na Getúlio era gostoso pois todo mundo se reunia ali nas calçadas".
Ainda não existia o calçadão na Praça Nereu Ramos e, nesta época, as escolas vinham da Getúlio e contornavam a Nereu. Um ponto bastante disputado para assistir os desfiles era nos altos da Casa da Cultura. Nos tempos áureos, a concentração das escolas era na frente do escritório da CBCA, na Getúlio, e a dispersão se dava nos arredores do atual Bradesco, na Rui Barbosa.
Rivalidades importantes existiram entre as entidades. Nos blocos, Palmeirinhas e Acadêmicos da Folia fizeram grandes confrontos no Carnaval. Temos depois surgiu a Nova Ala do Samba. "A Nova Ala trouxe uma vez o Jorge Ben para um show em Criciúma. Os blocos se mantinham assim, com eventos". Márcio lembra que, entre as escolas, a grande disputa se dava entre Rosa de Maio e Vila Isabel entre as décadas de 70 e 80. Outra escola referida por Márcio é a Imperatriz Belunense, de Siderópolis, que também fez história.
Arquibancadas foram implantadas na Getúlio para o público a partir de 1984, sob a gestão de Airson Soares da Rosa na presidência da Fundação Municipal de Esporte, Cultura e Turismo. Anos depois, a festa se transferiu para a Avenida Centenário. "A Getúlio ficou pequena para o Carnaval de Criciúma. O criciumense sempre gostou muito do Carnaval, e o público aumentava a cada ano".
Sobre sambas enredo históricos, Márcio Cardoso lembra de dois. Em 1980 a Vila Isabel sagrou-se campeã cantando o centenário da colonização de Criciúma. "Vila Isabel tão menina, igual à Capital do Carvão, cidade hospitaleira, descoberta pela colonização", cantarola o radialista, recordando um trecho do samba. Um ano antes foi a vez da Rosa de Maio apresentar aquele que, segundo Márcio, foi o samba mais bonito já composto em Criciúma, de autoria do saudoso Aldo Domingos. Confira abaixo:
Olê, olê
Olê, olá
É a Rosa de Maio
Que vem botando pra quebrar
A Rosa de Maio vem chegando
E no samba vem dizendo
As histórias vamos recordar
As velhas lendas e folclores
As histórias tão bonitas
Que a gente ouviu contar, ouviu contar
Ao relembrar o Saci Pererê, lelê
E as brincadeiras de boi de mamão
O tempo do pau-de-fita
Em que a morena bonita sambava de pé no chão
Olha a Nega Mariana
Olha o Boi da Cara Preta
Olha o Saci Pererê
Olha a Mula sem cabeça






