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GERAL

Longa espera para consulta com especialistas

16/05/2018 06:50
Foto por Lucas Renan Domingos (Foto: Lucas Renan Domingos) Clique para Ampliar
Lucas Renan Domingos

A aposentada Gema Ferrarini, de 79 anos, tem a doença de Parkinson. Em agosto de 2016, ela realizou uma consulta com um neurologista. O especialista solicitou que fosse marcado um retorno dois meses depois, mais especificamente em 11 de outubro daquele ano, mas, até hoje, ela não foi chamada.

Em 5 de maio de 2017, a idosa também foi diagnosticada com falta de cartilagem no joelho. Consultou com o ortopedista e o profissional pediu um retorno. Neste mês de maio completou um ano de espera pela nova consulta.

De acordo com Lenir Ferrarini, filha de Gema, a idosa ocupa a 1745ª posição na fila de espera para a consulta com o neurologista e a 1825ª para o retorno com o ortopedista. Para agravar a situação, o pai de Lenir possui problemas no coração. O casal é aposentado, porém o dinheiro não é suficiente para conseguir arcar com as despesas.

“Se a gente ficasse só dependendo do SUS, a mãe já teria morrido. A família tem ajudado para conseguir pagar. Só o pai toma um remédio que a caixa com 28 comprimidos custa R$ 300. O salário da mãe é só para conseguir pagar os medicamentos deles e o do pai é para manter a casa, comprando alimentos, pagando energia e outros gastos. Às vezes falta para isso. A situação é bem complicada”, frisou

Cleomar Pinto e Marlene Fermino são mais dois casos de espera na fila por retorno com ortopedista. Diagnosticada com dois nódulos na coluna, Cleomar deveria ter efetuado uma ressonância magnética há oito meses, só que ainda aguarda pelo exame. Hoje ela está com um colar cervical e, na última semana, teve que ir para o hospital por conta de dores nos braços e nas pernas.

Já Marlene aguarda há dois anos para marcar uma ultrassonografia da coluna. Ela está com duas hérnias de disco. “Outro exame que preciso é uma tomografia da mama e tenho bico de papagaio. A gente não sabe mais o que fazer. Vamos à Secretaria de Saúde e só nos mandam esperar. Precisamos de um posicionamento mais concreto. Não tenho dinheiro para consulta. Tem que escolher entre pagar ou comer”, afirmou.

 

Vereador alerta para filas

Na sessão da última segunda-feira da Câmara de Vereadores de Criciúma, o vereador Paulo Ferrarezi (MDB) subiu à Tribuna e expôs o número preocupante de pessoas nas filas de espera. Segundo ele, além das 1745 pessoas na fila de consultas com neurologistas, estipula-se que haja de 5 mil a 6 mil pacientes esperando por atendimentos com ortopedistas, 1190 aguardando por uma ultrassonografia mamária, 2789 para endocrinologista e mais de 7 mil para oftalmologistas.

“Andando pelas ruas da cidade, pessoas me abordavam e relatavam essa indignação com a demora de consultas, retornos e exames. Não é possível que a gente ainda viva essa situação em nossa cidade. A partir dessa demanda, profundei-me no assunto e descobrimos esse número alarmante”, destacou Ferrarezi.

A reportagem do Jornal A Tribuna entrou em contato com a Prefeitura de Criciúma em busca de esclarecimentos sobre o número de pacientes que aguardam por algum procedimento. Por meio da assessoria de imprensa, o Município informou que os números exatos da espera serão levantados e uma resposta será dada hoje. A expectativa é de que ações sejam anunciadas para a redução das esperas.

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