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OPINIÃO

O sonho acabou?

18/10/2017 06:00
Mário C. Búrigo Filho - Ortopedista cirurgião do Joelho e Médico do Esporte - Mestrando em Fisiologia do Exercício - CRM/SC 13463 RQE 6544/14473

Com certeza essa foi a pergunta mais ouvida na Praça Nereu Ramos no último cerco de Jericó. Havia ali, entre outras, uma barraca que passou dias a vender sonhos sem parar. Transeuntes e fiéis se aglomeravam formando filas na espera da iguaria, já que a produção não dava conta da demanda. Não se sabe ainda bem o porquê, mas dizem por aí que no sabor estava o efeito do voluntariado e do esforço coletivo. O sonho não acabou.
Em 1989, na retomada do processo democrático que elegeria um novo presidente, o país (não sei quem?) achou que seria importante o multipartidarismo para a eleição. Havia uma multiplicidade de opções capaz de satisfazer a diversidade dos votos. O empresário Afif, o gestor Covas, o operário Lula, o constitucionalista Ulisses, o estancieiro Caiado, o educador Leonel, o defensor da soberania nacional Enéas, o filhote da ditadura Maluf, o comunista Freire e o playboy caçador de marajás Fernando Collor de Melo, que entre 22 candidatos, até candidato com nome Marronzinho havia, acabaria no gosto do eleitorado.
Será que o cenário atual de falta de alternativas para candidatura presidencial no ano que vem indica que o sonho acabou? Se tomarmos como verdade para o ano de 2018 as opções que se apresentam, podemos crer que o sonho acabou. Antes fosse verdade a multiplicidade de 1989, pois talvez, depois de tantas lambadas e equívocos, pudéssemos acertar na escolha. Se é que, desconhecedores da própria história, somos capazes de acertar como nação, ou ainda, acertar em qualquer outra coisa.
No ano vigente, o sonho acabou mesmo foi no Heriberto Hülse. Desconhecedora da própria história, mesmo que assim o hino a clame, a torcida tricolor segue acreditando na figura de um mecenas capaz de elevar o clube às alturas. Não foi assim que o clube escreveu seus feitos, e não será assim que se erguerá das dificuldades. Apesar de sobreviver com muito esforço na elite do futebol brasileiro (sim, estar entre os 40 melhores do país é estar na elite), o clube não será capaz de reescrever sua história sem que seus sócios patrimoniais e seu conselho deliberativo saiam da morosidade e da hibernação em que se encontram.
Assim como o país, o Tigre precisa de uma figura central aglutinadora que traga razão e união de esforços aos objetivos comuns. Se a razão de ser do clube não for levar a marca da cidade além fronteiras, ele perde seu sentido. Como temos observado pela fuga de sócios e de público, não faz sentido algum para o empresariado, e para a comunidade, que a gestão se mantenha de forma privada. Não parece haver disposição de ninguém para investir seus árduos ganhos naquilo que não faz sentido coletivo.
Eu espero que surja das profundezas do ser e da razão a receita do sonho do cerco de Jericó para que a nação brasileira e a carvoeira possam achar seu sentido pleno, e seguir adiante nas suas necessidades de construção. A situação está difícil. A desconstrução está a pleno vapor. Será que o sonho acabou?

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