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OPINIÃO

Temporada boa, longe do ideal

11/04/2018 06:00
Vinicius Lummertz - Ministro do Turismo

Mesmo com as observações, críticas e propostas que farei neste artigo, não poderia deixar de iniciar comemorando os excelentes resultados da pesquisa Fecomércio-SC sobre a temporada. O destaque do estudo ficou por conta do número de turistas estrangeiros, que mais que dobrou: saímos de 12,4% em 2017 para 29% de 2018 – crescimento de 133%. E neste cenário animador, os argentinos representaram 23,5%. Os hermanos ajudaram muito na conta feita pela Fundação Getúlio Vargas, a pedido da Embratur: R$ 10,1 bilhões foram injetados pelo turismo na nossa economia em dezembro, janeiro e fevereiro.
Devemos comemorar, mas aproveitar dos indicadores da Fecomércio para fazer algumas reflexões:
• Foi o investimento feito em divulgação e ações junto às aduanas, ampliação de voos charter e concessão de vistos eletrônicos o diferencial que levou ao aumento do número de estrangeiros. A Embratur fez duas grandes campanhas, uma nacional e outra para a América Latina. Mas fundamental foi a promoção que fizemos numa das principais feiras do continente, a FIT Buenos Aires. Só que SC não tinha um estande nessa feira, ao contrário de outros estados brasileiros. O que dizer?
• A pesquisa mostra que precisamos investir forte em infraestrutura e mobilidade. No caso de investimentos públicos, a sociedade tem que cobrar dos candidatos a governador uma política para que o turismo se transforme em alavanca do desenvolvimento. No entanto, cabe à “maioria silenciosa” combater com firmeza a judicialização e a criminalização dos empreendimentos turísticos, a insegurança jurídica que afugenta investidores de fora e daqui, e os grupos ideológicos – a “minoria ruidosa” – que são contra o desenvolvimento sustentável.  
• Temos que qualificar o turismo. A pesquisa mostra que a Classe C tem sido a grande maioria nos últimos 5 anos (de 57 a 65% dos turistas), porém na última temporada houve um aumento razoável das Classes A e B (de 14 para 19%). Na média, no entanto, o tíquete médio continua muito baixo. Neste ano, foi de R$ 156/dia, quando em 2014 chegamos a R$ 270.
• Em Florianópolis, houve alguma melhoria de infraestrutura nas praias, mas a falta de fiscalização do comércio clandestino – que criou uma verdadeira máfia – fez com que o comerciante que emprega e paga imposto fosse seriamente prejudicado. Turistas foram assediados por gente desqualificada que vendia de tudo, inclusive alimentos de origem duvidosa.
Finalmente, o que é fundamental: SC tem que se internacionalizar. Somos um destino privilegiado e parcamente visitado pelos estrangeiros. Recebemos, por exemplo, uns poucos milhares dos 130 milhões de chineses que viajam pelo mundo. Faremos nossa parte: em maio, a Embratur e a Inprotur argentina vão promover roadshows na China. Mas aqui também é preciso fazer a lição de casa.

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