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OPINIÃO

Saudade que virou poesia

04/08/2018 06:00
Mary Rocha - poeta

Naquele dia. Ah, aquele dia! Que eu sabia que iria te encontrar, eu não pensava mais em nada. Só em você. Fiz minhas coisas mais rapidamente, queria que as horas voassem para chegar o momento de te ver. Estava ridiculamente ansiosa. Até que, finalmente, a hora chegou. Você estava entrando na minha casa, eu estava ouvindo tua voz e tremendo por dentro. Nossos olhares se cruzaram e você leu tudo que eu sentia naquele minuto. Aah, teu sorriso! A intensidade do meu sentimento por você só aumentava, queria era me jogar em teus braços. Mas nada é tão fácil na vida. Você veio se aproximando fazendo tudo em mim queimar de paixão, começamos a conversar, dar risadas tolas. Parecia que fazia questão de fazer nossos olhares se cruzarem para eu ter que desviar para você não enxergar o tamanho do meu amor. Meu coração batia a mil por hora. Peguei fogo quando você me abraçou, senti teu calor, teu cheiro, ouvi tua voz dizendo que me amava... E depois brincou de “briguinha de nariz” comigo (chego a rir sozinha quando lembro), a gente ali igual criança, até percebermos que nossas bocas estavam quase num beijo. Você se afastou, e, de certa forma, continuamos conversando. Não demorou muito para você me olhar sério e quase sussurrar, porque não estávamos somente nós dois na casa: “Posso te dar um beijo?”. Nossa, meu mundo paralisou. Me arrepiei toda, fiquei sem resposta. E você de novo: “Posso ou não?”. Só veio uma resposta em minha mente, um “claro”. Aah, aquele momento! Você foi se chegando, tua mão no meu rosto, eu meio sem jeito, até que, aconteceu. Nosso beijo. O gosto da tua boca. Esqueci de tudo naquele momento, para mim só existia nós dois e as nossas vontades. Vontade de ser um do outro, viver nosso amor. Meu mundo foi outro quando te beijei. Nossas bocas se afastaram, mas nossas testas não. Ficamos ali, se olhando nos olhos, dizendo várias coisas sem pronunciar uma palavra sequer. Te disse tantas coisas que até hoje você nem sonha. Você se afastou e a gente começou a conversar de novo, eu sempre desviando meu olhar. Até que chegou a hora que eu menos desejava, a hora de você ir. Minha alma e coração gritavam “não vai, por favor!”, mas meu sorriso enganava bem, eu acho. Nos abraçamos, tiramos fotos que sempre olho, e, você foi embora.

Aquele dia se tornou saudade. Dos nossos olhares se cruzando, da nossa conversa, das risadas tolas, do teu abraço, calor, cheiro. Aah, e daquele beijo! Beijo que marcou nossa história. Olho nossas fotos e me lembro de cada detalhe. Aquele dia se tornou saudade, mas uma saudade diferente. Uma saudade forte que nunca perco de vista e que hoje virou poesia.

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