Ir para o Conteúdo da página Ir para o Menu da página

OPINIÃO

Por que internacionalizar?

12/09/2018 06:00
Vinicius Lummertz - Ministro do Turismo

Desde 1985, quando o economista Theodore Levitt publicou ‘A Globalização dos mercados’, o mundo caminha inexoravelmente para a internacionalização. De lá para cá, as nações mais adiantadas exportam modelos de desenvolvimento que, cada vez mais, visam a sustentabilidade e a preservação. Exemplo recente é a Indústria 4.0, a quarta geração da produção industrial, que vem sendo difundida pela Alemanha e adotada em países como o Brasil e, mais aceleradamente, por SC. Se hoje a internacionalização é um modelo consagrado, é preciso lembrar que há 20 anos era obra de visionários, como o ex-governador Luiz Henrique. Poucos entenderam quando ele trouxe para Joinville a única escola do Balé Bolshoi fora da Rússia, ainda no ano 2000.
Hoje, quando Joinville realiza o maior Festival de Dança do mundo, é possível enxergar com toda a clareza o resultado da internacionalização que começou pela arte: de acordo com a Associação Empresarial (ACIJ), um terço das médias e grandes empresas já são multinacionais e dos 5 mil colaboradores das 140 empresas instaladas no Perini Business Park, o maior condomínio multisetorial do Brasil, metade são estrangeiros. Joinville (e região Norte) internacional é um modelo para toda SC. É nossa capital cultural, papel que até os anos 80/90 foi ocupado por Florianópolis, onde há uma enorme reatividade à internacionalização. Não fosse o setor de TI, hoje responsável por 45% do PIB da cidade, a Ilha que ainda está de costas para o mar continuaria apenas crescendo desordenadamente, como o faz há mais de 30 anos.
A reatividade florianopolitana é de assustar. Assusta, por exemplo, a reação de entidades do setor turístico à afirmação do CEO do novo Floripa Airport, o suíço Tobias Markert, de que não adianta construir um aeroporto para dobrar o movimento atual de passageiros de 4 para 8 milhões por ano, se não houver uma rede hoteleira à altura. Porém, a afirmação do estrangeiro soou como ofensa a representantes do setor hoteleiro. Ora, o que Tobias quis dizer foi que, com o dobro de passageiros, precisamos ampliar a rede hoteleira e – importante – construir mais hotéis de categoria internacional. É uma conta de dois mais dois. 
O mesmo aconteceu quando fomos a Copenhague, Dinamarca, com representantes do movimento Floripa Sustentável, empresários e urbanistas para buscar trazer o conhecimento deles em mobilidade urbana e o conceito “cidade para as pessoas”. A reação foi a mesma. É lamentável: hoje Florianópolis só tem, a rigor, uma grande obra no prazo - a despoluição da orla na Avenida Beira Mar Norte. Obra importante, mas que terá pouco retorno para a sociedade e a economia (empregos, renda, salários, arrecadação) se for só para tomar banho de mar. Sem marinas, restaurantes, bares, casas de espetáculo e hotéis de nível internacional, continuará apenas Florianópolis sendo Florianópolis.

Últimas Notícias

Mais Notícias