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OPINIÃO

O silêncio dos inocentes

04/07/2017 06:00
Mário C. Búrigo Filho Ortopedista cirurgião do Joelho e Médico do Esporte - Mestrando em Fisiologia do Exercício - CRM/SC 13463 RQE 6544/14473

Desde a última sexta-feira esse filme não sai da minha cabeça. Não o filme em si, um clássico do suspense e terror que trouxe da literatura para as telas do cinema o personagem Hannibal Lecter, mas a gafe histórica na tradução do título do filme em inglês "The silence of the lambs", ou seja, "O silêncio das ovelhas", para "o silêncio dos inocentes", título esse que não tem relação alguma com o roteiro do filme em que as ovelhas habitam os so-nhos e medos de criança da agente do FBI responsável por conduzir a investigação dos assassinatos do psicótico Lecter.
Como eu dizia, desde a última sexta-feira o filme não sai da minha cabeça porque o filme que contará a história do momento atual brasileiro tanto faz se for chamado de silêncio dos inocentes ou das ovelhas, porque retrata da mesma manei-ra a atitude passiva da sociedade brasi-leira diante do descalabro das últimas decisões dos três poderes em Brasília. Eles estão brincando e caçoando da nossa cara, do povo brasileiro. Jogaram no lixo qualquer tipo de razão em prol da manu-tenção dos seus benefícios. Um verdadeiro acordão, como tem sido chamado. En-quanto isso, assistimos a tudo sem reação alguma. O silêncio daqueles que não se sentem responsáveis por nada que acontece nas instâncias superiores do País.
O que mais me assusta não é o tama-nho da safadeza envolvida nas articula-ções em curso em Brasília, é o silêncio da sociedade em geral. Se observa mínima movimentação contra tudo o que está acontecendo. Um silêncio que evidencia, sim, que há corruptos cativos por parte da população que se diz politizada. Um silêncio que aceita, diante de todas as provas de corrupção fornecidas pela Polícia Federal, a absolvição de crápulas sem um levante.
Que país no mundo tem um deputado liberado pela justiça do presídio para frequentar a câmara, sob alegação no despacho do juiz que o réu corre o risco de perder o emprego por excesso de falta ao serviço? Que país tem uma gama de mi-nistros investigados se escondendo atrás da cortina do foro privilegiado e articulando decisões do futuro do país? E seu povo nada faz... como ovelhas inocentes.
A vida real não é peça ficcional, que se esgota em si. O silêncio de uns cala a voz de outros como uma mordaça. As peças do tabuleiro em Brasília estão sendo movidas como se não houvesse nada capaz de trazê-las à realidade dos fatos. Estamos vivendo aquilo que o José Padilha dissecou no filme "Tropa de Elite 2", e aceitando como se não houvesse qualquer outro tipo de atitude possível contra tudo que aí está exposto. Não temos perspectivas, mas parece que não desejamos construí-las.
Dizem que quem cala consente e o nosso silêncio expressa isso. Nossa conformidade com tudo fora do seu  lugar, como ovelhas inocentes que aceitam seu trágico fim.

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