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OPINIÃO

O modelo mental brasileiro

01/11/2017 06:00
Mayara Cardoso

Mário C. Búrigo Filho - Ortopedista cirurgião do Joelho e Médico do Esporte - Mestrando em Ciências da Saúde na UNESC (Universidade do Extremo Sul Catarinense) no LAFIBE (Laboratório de Fisiologia e Bioquímica do Exercício) - CRM/SC 13463  RQE 6544/14473

Não é de hoje que o brasileiro prima por seus privilégios. Baseada numa cultura extrativista desde o século XVI, a sociedade brasileira se acostumou com a troca de favores na sua formação. Com a chegada da trupe do Dom João no século XIX ao Rio de Janeiro, a corte garantiu seu sustento financeiro nos trópicos com a venda de títulos de nobreza. Portanto, não é de hoje que a prática está institucionalizada. Segundo o ideário brasileiro, não há nada de anormal no que acontece com a compra do Legislativo pelo Executivo a cada pauta polêmica no Congresso Nacional. É o “modus operandi” da casa que imita boa parte da prática da sociedade civil.
Tanto na velha república quanto na nova, a partir do Governo Sarney, sempre foi corrente a prática do escambo orçamentário na compra de votos legislativos. Fernando Henrique Cardoso e Luís Inácio Lula da Silva a usaram com tanta maestria quanto Michel Temer tem usado aos seus interesses. O mensalão, a ideia de ter uma maioria absoluta no Congresso, nasceu no cerne dessa prática. Está arraigado no nosso modo de fazer política a ideia de benefícios pessoais.
Isto não se restringe ao planalto central. Aqui na planície as ideias são as mesmas. Elas se reproduzem em escala descendente aos rincões do país. Ano que vem, ano de eleições, veremos a história e as práticas se repetirem. Aguardem o quanto teremos de renovação nos quadros legislativos estadual e federal. Coronéis não existem só no Nordeste como sulistas tendem a propagar em defesa da sua integridade territorial. Por aqui também os há.
Como derrubar essas práticas? Como mudar o rumo da nossa sociedade? Culpar os portugueses pela nossa colonização não é mais viável, já que eles têm se mostrado capazes de mudar sua realidade do lado de lá do Atlântico. É chover no molhado dizer que a Educação é a chave do processo. Não existe outro caminho que não seja pela valorização e formação do educador junto ao aluno. Imaginar que criar um cidadão sem senso crítico, como tem sido proposto por setores da sociedade civil chegando aos legislativos municipais, seja o caminho para uma sociedade melhor é um grande equívoco. É mais um retrocesso.
A família deve fazer parte do cerne da formação ética do caráter de um cidadão. E aqui se ressalta que no mundo moderno cabem diversos tipos de novas famílias, sem maniqueísmos. Mas a construção da consciência de um cidadão passa pelo debate de ideias na formação do seu conhecimento, com seus contrapontos, e pelo viver coletivo que caracteriza os ambientes escolares. O modelo mental brasileiro precisa ser modificado pela crítica ao errado, e pela asserção ao correto. Criar ambientes assépticos, incapazes de produzir reflexão, só é de interesse daqueles que pretendem manter seus  privilégios. É manter a troca de votos por benefícios próprios.

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