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OPINIÃO

O maniqueísmo do brasileiro

16/05/2017 06:00
Marinho Búrigo é cirurgião de joelho, pós-graduado em Medicina do Esporte e mestrando em fisiologia do exercício na Unesc

Não é de hoje que o brasileiro adora um "Fla x Flu". A política brasileira sempre foi tratada com a mesma intensidade das torcidas dos estádios brasileiros. Fato que nos limita a compreensão e um me-lhor entendimento da realidade social do país, a partir de uma troca de ideias sadia e respeitosa. O contraponto é o que nos faz evolui, mas nós ainda não aprendemos isto. A política brasileira vive no tempo do escambo ainda. Há aquela máxima de que política, futebol e religião não se discute. Grande equívoco que nos des-         constrói enquanto nação.
Nesse ideário onde as coisas são como são, e não devem ser discutidas, tomamos um 7x1 que não cicatrizará jamais. Acreditamos no feitiço das pernas brasileiras assim como acreditamos que Deus é quem coloca comida nas nossas mesas. Agora seguimos tomando outra goleada, só que na política. Dois lados da mesma moeda discutem, muitas vezes esbravejando em "CAPS LOCK", sendo incapazes de construir um senso de direção. O "Fla x Flu" Lula x Moro que tomou conta do país na semana passada é mais um sintoma da falta de bom senso que assola o país. Não será a eleição do ano que vem que definirá o futuro do país, independente da figura que seja eleita, como nos mostra a vizinha Argentina. O futuro é construído no dia a dia das nossas ações.
As afirmações de que Lula destruiu Moro ou de que Moro deu um nó em Lula são tão ridículas quanto selfies de bunda que andam na moda. Tornam-se parte apenas de um anedotário político, enquanto nossa realidade nada muda. O país vive de propina há séculos. A afirmação de que os roubos agora investigados atingem números nunca antes vistos na história do Brasil não é verdadeira. Getúlio Vargas foi destituído em 1945 com base em denúncias que se iniciaram no escândalo do algodão com valores corrigidos similares aos atuais (ler a biografia de Lira Neto). Na devassa que tem sido feita estão envolvidos políticos de todos os partidos, muitos ainda figurando nos grandes escalões da república se esgueirando entre aliados, enquanto o brasileiro faz do seu maniqueísmo sua derrocada. O bem e o mal não existem isoladamente, eles coexistem.
O que será preciso para aprendermos que política não é lugar de torcida. Enquanto o brasileiro age como torcedor fanático diante de um processo jurídico, outras questões e reformas fundamentais ao futuro do país passam desapercebidas, "a toque de caixa", e sem discussão pelos nossos olhos. O brasileiro não é capaz de prestar atenção ao que lhe é importante porque é educado como torcedor, onde a emoção sobrepõe a razão. Nos falta um rumo e um bom senso a construir.

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