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OPINIÃO

O Heriberto Hülse e o vice-presidente no casarão: Centro Cultural Jorge Zanatta, capítulo 4

05/11/2018 06:00
Denis Luciano - Jornalista

Não foram poucas as fotos que Faustino Zappelini clicou naquele julho de 1951 durante a visita do vice-presidente da República a Criciúma. Em uma delas, que reproduzimos acima, Café Filho está cercado por Pedro Vergara Corrêa, diretor da Folha do Povo, e pela estudante universitária criciumense Genesia Minatto. A destacar que ser estudante universitário de Criciúma era uma proeza naquela época, início dos anos 50, levando-se em conta que os cursos superiores levariam ainda um bom tempo para aportar por aqui, mas essa é outra conversa.
A manchete da Folha do Povo, o jornal do Pedro Vergara de 16 de julho, anunciava em destaque: “A visita do senhor Café Filho a esta cidade constituiu um acontecimento de relevo!”. De fato, era para se comemorar. Heriberto Hülse, então próspero empresário da mineração, liderança da UDN e futuro vice-governador, foi um dos líderes que fez as honras da casa. E conduziu a Mesa Redonda do Carvão, proposta pelo ex-prefeito Addo Caldas Faraco, na qual se notabilizou o discurso do prefeito Paulo Preis. Chamou a atenção de Café Filho, ao ponto de o vice-presidente perguntar mais sobre o orador. “Uma peça expressiva, clara, eloquente e por demais objetiva”, retratou a Folha do Povo.
Heriberto levou Café a conhecer o prédio que, havia seis anos, o Plano Nacional do Carvão entregara a Criciúma. O vice-presidente percorreu os corredores, conversou com engenheiros, conheceu um pouco mais da indústria carbonífera regional e, garantem os presentes, não havia outra conversa com ele nos dois banquetes das noites seguintes, um no Clube Olímpico em Criciúma e outro em Urussanga, que não as maravilhas do carvão no sul catarinense.
“Precisará o presidente Getúlio Vargas vir até aqui”, repetiu inúmeras vezes Café Filho. A promessa não foi cumprida, o que será conversa para mais adiante. Mas a ocasião não serviu apenas para o vice-presidente, natural do distante Rio Grande do Norte e goleiro do Alecrim de Natal na juventude, conhecer Criciúma e o casarão da Pedro Benedet. Serviu para ouvir da estudante Genesia, aquela que citamos mais cedo, o clamor pela educação daqui. E para o vice saber de Heriberto Hülse que precisávamos de estrada, de aeroporto e água encanada. Progressos que vinham há muito sendo discutidos nas saletas do casarão da Pedro Benedet. E que encheram os ouvidos de Café Filho enquanto ele subia e descia as escadarias que são as mesmas de hoje, que naquela manhã de 67 anos atrás testemunharam uma visita que ficou para a história.
Este artigo você encontra diariamente também na Rádio Som Maior, às 9h no Jornal das Nove e às 18h no Ponto Final, e com divulgação simultânea no 4oito.

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