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OPINIÃO

O espaço público não é privado

11/10/2017 06:00
Mário C. Búrigo Filho - Ortopedista cirurgião do Joelho e Médico do Esporte - Mestrando em Fisiologia do Exercício - CRM/SC 13463 RQE 6544/14473

Não pode ser verdade que partiu de dentro do paço municipal a ideia de se vender parte de uma praça pública do município. O boato da doação foi desmentido, mas a ideia de ceder parte da praça da Santa Bárbara para um empreendimento privado ficou sem dono. Boataria política imagino eu.
Não acredito que o prefeito responsável pela construção da maior obra pública dos últimos anos do município de Criciúma, que é o “Parque das Nações”, consentiria com algo assim. Ele mesmo, o prefeito, tem cogitado angariar fundos para uma reforma no “Parque Centenário”, lindo mas que anda abandonado. Tão abandonado, e tão lindo, quanto a praça da Santa Bárbara, onde resta um dos últimos marcos do arquiteto Manuel Coelho.
O parque das nações Cincinato Naspolini tem mudado os hábitos dos criciumenses.   Basta um fim de semana, ou um fim de tarde firme, carregado de sol, apesar do crescimento ainda incipiente das árvores, para ele ser tomado pela população em piqueniques espalhados pela grama, e pela mais diversa prática de atividades físicas que o espaço ali permite.
Agora experimente admirar a beleza que é, num domingo de sol matinal, subir a pé o aclive da Henrique Lage em direção à igreja da Santa Bárbara, e entrar naquela praça. Apesar de mau cuidada, usualmente há pessoas a ocupá-la. No campo, geralmente, tem uma pelada sendo jogada, alguém caminhando e, às vezes, crianças brincando. Sempre que ali passei nas minhas corridas dominicais me deparei com alguma dessas fotografias diante daquelas árvores frondosas que lá cresceram.
Não pode, numa cidade carente de espaços públicos como a nossa, que o cidadão seja privado do espaço que ele dispõe, mesmo que ali perto tenha um outro grande parque municipal. Ainda mais agora que a comunidade da Operária Nova tem resgatado o clube ao lado da igreja. Trata-se de um patrimônio histórico da cidade que precisa ser mantido. Não é possível que o paço tenha cogitado a possibilidade de vendê-lo.
Entretanto, seguindo a mesma lógica de que espaços públicos não são privados, são de uso coletivo, não é admissível que a prefeitura de Criciúma mantenha o hábito de alugar o espaço central do Parque das Nações para festividades particulares como foi o último fim de semana. Ora, para isso a cidade construiu o centro de eventos Ijair Conti.
Parques e praças públicas são para usufruto coletivo da comunidade em geral, sem restrições. Eu espero que ainda haja algum vereador com voz ativa na Câmara de Vereadores do município capaz de cobrar esclarecimentos do paço, porque senão daqui a pouco haverá alguém querendo locar a praça Nereu Ramos, ou a do Congresso, para realização de festas. Ou ainda, alguém querendo comprar uma praça para um empreendimento privado. Não é possível!

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