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OPINIÃO

O choque da inovação

01/07/2017 06:00
Valmor Rabelo Diretor da Incubadora InSite

Dick Rowe, o poderoso executivo da gravadora Decca Records, ao ouvir um novo grupo musical, disse: "as bandas com guitarras estão saindo de cena". Brian Epstein, o empresário daqueles quatro rapazes de Liverpool, engoliu um sonoro NÃO!!!. Pouco tempo depois, o desconhecido The Beatles assinava contrato com outra gravadora. O sucesso e os bilhões de dólares contam o resto.
Apesar de o fato ter ocorrido há mais de 50 anos, muitos outros casos de miopia empresarial ou arrogância corporativa têm feito poderosos empresários e governantes virarem piada ao longo da história. Assim aconteceu com a Kodak, que viu seus filmes serem substituídos por máquinas fotográficas digitais, ou a digitalização via MP3 que faliu as gravadoras.
Nos últimos cinco anos estamos assistindo várias estruturas, ora sólidas e imbatíveis, se derreterem diante da tecnologia. Empresas gigantescas, meios de comunicação, bancos, entidades, sindicatos e até governos estão diante de um grande iceberg: uma nova geração de empreendedores de garagem vem apresentando soluções inovadoras que transformam completamente a sociedade e o modo como vivemos.
A Netflix, por exemplo, dizimou a indústria dos DVDs, BlueRays e Locadoras. Um modelo lento, pesado, caro e para poucos deu lugar a outro jeito mais rápido, instantâneo, simples e acessível para muitos. Entretanto, nunca se produziu tantos filmes. As novas tecnologias permitiram a um sem-número de cineastas e produtoras o acesso ao mundo, graças à internet.
Podemos citar centenas de outras inovações que fa-zem evaporar empresas e mercados inteiros, com único aplicativo de celular. O mundo está sendo passado a lim-po - e cada vez mais rápido - emergindo uma nova sociedade baseada na colaboração e no compartilhar de bens e serviços. Google, Facebook, Amazon, YouTube, Whats-App, Airbnb, Uber, OLX, Waze, Zip Car, Nubank, Bitcoin e Tesla são apenas uma pontinha do que está por vir.
No Brasil, empresas como VISA e Globo já estão convidando startups (grupo de empreendedores em busca por um modelo de negócio inovador, repetível e escalável) para ajudar a resol-ver o grande problema: como adequar estruturas analógicas para este novo mundo digital, compartilhado e em escala mundial.
A nanotecnologia e os nano robôs vão redesenhar a indústria farmacêutica e a forma como fazemos medi-cina. Advogados, contadores, jornalistas, engenheiros e publicitários terão que se reinventar diante da Inteligência Artificial, Big Data e Learning Machines. Os Drones e outros veículos autômatos impactarão em toda a cadeia automotiva, transporte e logística.
Com as impressoras 3D, teremos fábricas pessoais para “imprimir” nossas roupas, objetos, comida e até órgãos humanos. O bitcoin e outras moedas virtuais darão outro significado ao valor do dinheiro e à função de bancos e governos. A Realidade Virtual e Aumentada farão o varejo atual parecer-se com os tempos da "cardineta". Sem falar das escolas e universidades que precisarão desconstruir seu modelo atual frente às novas necessidades de conhecimento e evolução tecnológica.
Não pretendo debater sobre certo ou errado, apenas os fatos indicam que muito em breve viveremos a economia da abundância. Um mundo diferente e muito me-lhor, onde o poder estará nas pessoas e seus talentos, e não nas estruturas pesadas, hierárquicas, onerosas e que entregam cada vez menos valor à sociedade.
O modelo mental sobre negócios baseado em prédios, hierarquia e controle está mudando para um modelo econômico-social baseado em serviços, colaboração e compartilhamento. Esperamos que nossos líderes, empresários, governantes e formadores de opinião estejam sintonizados e preparados para evitar O Choque da Inovação. Ou, sinto muito, veremos em breve escrito em suas lápides: "as bandas com guitarras estão saindo de cena".

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