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OPINIÃO

E se fosse com você?

13/09/2018 06:00
Rosane Nogueira Alves Albano - Advogada e Presidente da Comissão da Criança e do Adolescente da OAB Criciúma

Uma vez, faz muitos anos, furtaram um celular meu. Fiquei muito indignada e queria ele de volta, pois eu o comprei com meu salário, portanto, eu tive que trabalhar muito para ter dinheiro e comprar um aparelho de qualidade. Naquela época, raras pessoas tinham este recurso. Não recuperei. Fiquei triste, mas depois comprei um muito melhor.
Lembrei-me disso porque vi um vídeo em que alguns adultos fazem um menino, uma criança, talvez pré-adolescente, colocar as mãos na porta de um carro aberto. Em seguida, eles batem a porta nos dedos do menino, trancam todos os dedos do garoto na porta que se fecha completamente e fazem-no dizer entre os gritos de dor que “não vou mais roubar”.
Imaginem isso: um menino franzino, não me parecia ter mais de 10 anos, com os dedos esmagados por vários adultos que estavam o punindo porque roubou, furtou, tirou algo de alguém. Pela sua estatura, não conseguiria furtar mais do que um celular ou um eletrodoméstico, ou mesmo alguma mercadoria pequena.
Não suportei. Aquela violência doeu fundo na minha alma. Depois de um tempo gritando de dor, eles abriram a porta e o menino saiu chorando, ainda gritando de dor. Senti uma dor profunda. Senti-me ferida junto com a criança.
Orei e pedi a Deus que tenha piedade da criança e depois fiquei pensando se não deveria ter pedido piedade pelos seus malfeitores. E depois pensei: “Deus tenha piedade de nós todos”. Será que as pessoas pensam que vão construir uma sociedade mais justa fazendo uma maldade dessas? Será que, seja lá o que for que o menino tenha furtado, esse objeto vale mais que a dignidade de um ser humano?
Estou inconsolável. Resolvi compartilhar meus sentimentos com vocês, porque não posso me calar diante de tamanha estupidez. E agora penso naquele celular que me foi furtado. Nem sei mais quanto ele valia, sei que para mim era caro. Os contatos que perdi? Os importantes recuperei todos. Mas, jamais, jamais aceitaria ver uma criança ou qualquer outra pessoa ser mutilada como castigo por ter me roubado. Não posso colocar os bens acima da dignidade humana.
Nestas horas lembro-me da frase de Edilberto Melo. “Ensina a criança no caminho direito em que deve andar, não SÓ uma vez, quantas vezes forem necessárias, até que ela não conheça outro caminho.”
 

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