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OPINIÃO

Das queixas, as maiores: Centro Cultural Jorge Zanatta, capítulo 7

08/11/2018 06:00
Denis Luciano - Jornalista

Era queixa comum, nas lamúrias quase inaudíveis de servidores menos e mais graduados nos corredores do casarão da Pedro Benedet, que os chefões do Plano Nacional do Carvão quase que ignoravam olimpicamente Criciúma. Embora escolhida para sede dos estados do Sul para as estratégias carboníferas – a elevada produção local e regional justificava, perante a já crescente concorrência gaúcha –, eram pouco frequentes as visitas do General Osvaldo Pinto da Veiga e de seus comandados mais estrelados naquele início dos anos 50.
“Onde está o Plano Nacional do Carvão que não responde a nossas angústias por água e estradas melhores?”, questionava, com veemência, o poético mas também contundente Castro de Alencar, o combativo Sebastião Pieri em artigos de hora marcada e consumo frequente transmitidos pela antiga Rádio Eldorado por suas cornetas instaladas na fachada do Edifício Dom Joaquim, na praça Nereu Ramos.
Castro havia ouvido essa, e outras queixas mais, das conversas aguçadas dos minutos de ócio criativo ora no Café São Paulo, ora no Café Rio. “Sebastião, sabias que nem planos tem eles para a nossa água encanada?”, indagou outro dia um dos engenheiros do Plano do Carvão. Hoje em dia muito se fala em compensação, certo? Por uma outra, por uma liberação ambiental, se faz outra, se implanta algo. Era mais ou menos o que aspirava Criciúma naqueles tempos de ar pesado, asfalto inexistente e água que minguava. Que o Plano do Carvão, nas suas reuniões e palestras e encontros no casarão da Pedro Benedet, tivesse forças para amparar a cidade na prática.
Mas não pesavam somente sobre os senhores do Plano do Carvão os embates da época. A Folha do Povo de 22 de outubro de 1951 noticiava, com destaque, a dureza e a agonia de quem precisava viajar daqui para Porto Alegre. Eis a manchete: “A viagem para o Rio Grande do Sul pela via terrestre tornou-se um verdadeiro tormento”. E a crônica narra as aventuras épicas enfrentadas nas praias do sul para recortar as dificuldades que o relevo impunha até chegar na capital gaúcha. “Tal como se estivéssemos ainda na era dos carros de bois, os senhores condutores de automóveis, ônibus e caminhões, os senhores passageiros e as empresas tem sofrido nas comunicações via terrestre entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul”.
Era mais um desafio imposto ao desenvolvimento que crescia nas bocas de minas, nas escavações e idas e vindas do carvão extraído do solo sul catarinense. Dar à região infraestrutura. E pensar que o papel de discutir tais estratégias, que viriam a vingar nas décadas seguintes, esse papel era exercido intramuros do casarão da Pedro Benedet, onde anos depois um cárcere funcionaria em tempos de exceção, mas essa é conversa para se detalhar mais adiante.

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