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OPINIÃO

Culturetes [...]

12/03/2019 06:00
Maxwell Sandeer Flor - Produtor Cultural e Conselheiro Estadual de Cultura

Não há como implementar políticas públicas, projetos e ações culturais sem a utilização das ferramentas eficazes de comunicação. As campanhas sociais em prol de entidades em Criciúma sempre são sucesso, e a imprensa exerce um papel fundamental para a sensibilização desta causa.
Faz algum tempo que nossa mídia vem rotulando os fazedores de cultura da cidade com o termo “culturete”, principalmente depois da demissão do Sergio Zappelini (ex-presidente da Fundação Cultural de Criciúma). Depois deste acontecimento no final de 2018, os requerimentos dos vereadores Júlio Kaminski e Ademir Honorato a respeito de demandas culturais do município voltaram à utilização deste rótulo. A chegada do novo presidente da Fundação Cultural de Criciúma, Júlio Lopes, gera novas expectativas no âmbito da comunicação.
Segundo o dicionário informal, “culturete” é a pessoa que gosta de tudo o que ninguém conhece pelo simples fato de ninguém conhecer. Esse conceito não caracteriza, e nem representa a pluralidade de pessoas que trabalham com a cultura, aliás, esse adjetivo desqualifica os gestores culturais, e incluímos todos os representantes de instituições sociais de Criciúma que dirigem, coordenam e supervisionam diretamente atividades culturais. A definição ideológica desta palavra pejorativa contamina o desafio primordial de que a cultura não é despesa, e sim investimento. Segundo o ex-ministro da Cultura Sérgio Sá Leitão (2018) a economia criativa corresponde a 2,64% do PIB Nacional e gera um milhão de empregos para cerca de 200 mil empresas.
Acreditamos que o adjetivo “culturete” está em ordem indireta, e não reflete a fala ou ações reais dos seus interlocutores. O que é possível observar nesse embate é a presença do discurso [raso] ao campo cultural, prevalecendo os rótulos direcionados ao âmbito pessoal, enquanto a dimensão coletiva desta representação, como fica?
A frase da música de Culturalize expressa o seguinte recorte: “Sem perguntas e nem nomenclaturas, só a ação vai fazer com que a geração não permaneça em standbay.” (Geração Sensimilla, Família ZL, Marone Falascha e Cal Will). Somos trabalhadores, artistas, produtores, educadores, gestores, professores, diretores, investidores, agentes culturais [...] Somos muitos!

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