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OPINIÃO

Cuidador

15/05/2017 06:00
Cecília Urbina psicóloga, CRP/12-0957 Membro fundadora da CERES- Associação Criciumense de Apoio à Saúde Mental

"O mundo está numa situação ruim. Porém, tudo vai piorar ainda mais se cada um de nós não fizer o melhor que puder".   Viktor E. FrankI   Quando ocorre um acidente ou uma doença, o paciente sofre mas também tem outro ou outros envolvidos que sofrem: a pessoa cuidadora. "O cuidador" vive o stressde ter alguém querido doente e o stress de ter lhe acontecido uma imposição na sua vida: Cuidar do doente.
A pessoa que se transforma em cuidador de um doente tem muitos desafios psicológicos para superar. O primeiro problema é encarar a morte ou a sua proximidade; sendo que no mundo moderno se tenta evitar a percepção da morte. Na nossa cultura tornamo-nos distante da morte e tendemos a evitar tudo o que nos possa lembrá-la. Outro problema é que as pessoas da família ou os cuidadores próximos já estão prejudicadas pelo seu envolvimento com a vítima e, por isso, fica mais difícil assumir o seu novo papel.
Hoje temos a incrível pretensão de viver segundo nosso desejo e realizar-nos segundo o livre-arbítrio. Achamos que tudo está ao nosso alcance, que as possibilidades são ilimitadas e quando sentimos que são cortados nossos desejos ou que perdemos a nossa liberdade, com frequência, ficamos revoltados. É comum os cuidadores se sentirem frustrados porque sentem que não tem escolha. Mas o cuidador não está condicionado ou determinado a ter que assumir o papel de cuidador. Em última análise, ele é autodeterminado; ele decide aceitar a tarefa de dar suporte ao doente próximo. A escolha de assumir, como toda escolha implica em perdas e consequências que o cuidador aceita ou não. O papel nunca é imposto pelo doente, nem totalmente imposto pelos outros ou pelas poucas opções de cuidado. Sempre vai ter a opção de encaminhar o doente a outros ou ao sistema de previdência social.
Situações extremas como estar numa prisão, ditadura ou até no campo de concentração mostram que em até nessas situações tem um resquício de liberdade do espírito humano; de atitude livre do eu frente ao meio ambiente, mesmo nessa situação de coação aparentemente absoluta.  Não se revolte com o que não pode mudar e cuide se si e de sua saúde também.

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