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OPINIÃO

Autismo – treinar ou inscrever?

09/04/2018 06:00
Edna Farias da Silva - Psicóloga - CRP 12/11477 - Membro da Ceres – Associação Criciumense de Apoio a Saúde Mental.

02 de abril o dia mundial da conscientização do autismo. Valemo-nos deste dia como uma marca para a reflexão e compreensão deste transtorno. As estatísticas globais estimam que aproximadamente 1 em cada 68 crianças no mundo têm o transtorno. Consideramos atualmente que duas grandes questões assombram quando se fala sobre autismo. Primeiro, qual a causa? E segundo, qual a direção para o tratamento?
Primeiramente, quanto a causa, práticas clínicas e estudos científicos apontam para particularidades como certas características genéticas, condições epigenéticas (memoria celular, modificações por meio da experiência que não pelo DNA) e falhas nas estruturações psíquicas precoces. Sendo que ao mesmo tempo em que estas condições aparecem em proporções diferentes também se manifestam em combinações diversas. Assim cada pessoa com autismo não é igual a outra, cada uma tem sua particularidade.
As características dos que manifestam o autismo mostram-se mais visíveis nas funções da comunicação, do comportamento e socialização, mas cada um sempre na sua singularidade.
Nosso segundo ponto de questionamento vem a ser o tratamento. Eis aqui uma questão! Se trataria de treinar a pessoa com autismo para que ela possa se enquadrar nos comportamentos padrões de “normalidade”. Ou, conforme vimos anteriormente na etiologia das questões de falha da constituição psíquica, se trataria de estimular a inscrição de uma estrutura que possa habilitar a criança a estar no social com suas próprias capacidades como um sujeito único com sua singularidade para enfrentar o mundo, ou seja, inscrever uma estrutura que em algum momento falhou.
Como em tantos outros casos de problemas do desenvolvimento a direção do tratamento estaria na estimulação, principalmente, nos primeiros anos de vida, visto o maior potencial da neuroplasticidade humana, trabalho este que coloca a pequena criança na direção de se tornar o autor de suas escolhas.
Temos aqui então uma urgência. O quanto antes possibilitarmos a investigação de indicadores de risco mais cedo se detectaria se algo não vai bem. Já possuímos um instrumento validado que nos permite direcionar esta avaliação. O IRDI (Indicadores de Referência do Desenvolvimento Infantil) instrumento de avaliação de detecção de risco psíquico para o desenvolvimento dos bebes e pequenas crianças, tem o propósito de auxiliar pediatras e terapeutas capacitados para usar este instrumento. Quanto mais precoce for à detecção e a intervenção, maiores são as chances de uma evolução favorável tanto do autismo quanto de qualquer outro problema do desenvolvimento.

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