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OPINIÃO

As questões religiosa, militar e econômica que contribuíram para a queda da monarquia

11/10/2017 06:00
Ruy Hülse - Presidente de Honra do Siecesc

A questão religiosa: A Constituição de 1824, garantia a liberdade de culto, porém a religião católica era religião oficial do Império.
O clero recebia salário do governo, a nomeação de sacerdotes passava pela aprovação do governo e as bulas papais submetidas ao “ ad referendum” do Imperador.
Os bispos de Olinda, Dom Vidal de Oliveira e do Pará, Dom Antonio da Costa, se rebelaram contra a ingerência do governo na nomeação dos sacerdotes das suas Dioceses.
O Visconde do Rio Branco, do Partido Conservador, grão-mestre da maçonaria, anticlerical ao assumir a chefia do Gabinete; denunciou os dois prelados junto ao Supremo Tribuna de Justiça, por desobediência a lei vigente; resultando na condenação de ambos, a 4 anos de prisão com trabalho forçado.
Somente em 1875 com a ascensão de Duque de Caxias, do Partido Conservador, como chefe de Gabinete, é que os bispos foram libertados.
O fato, por evidente, distanciou o clero da monarquia.
A questão militar: A ala jovem do Exército se insurgiu contra o governo ante o desaparelhamento das forças armadas, ausência de instrução profissional e técnica, morosidade nas promoções e inativos mal pagos.
Em 1883, o projeto do Montepio Militar (direito de pensão por morte) elaborado pelo Visconde de Paranaguá, desagradou a maioria dos militares, ocasionando pesadas críticas ao governo; inclusive do Marechal Deodoro da Fonseca e do Tem Coronel Sena Madureira.
A insatisfação levou a Escola Militar a apoiar o movimento reivindicatório do Exército, designando o Marechal Deodoro, como porta-voz dos militares, agravando o mal-estar entre militares e governo.
A questão econômica: a libertação dos escravos teve o suporte de várias lideranças políticas, intelectuais e da imprensa tendo à frente José do Patrocínio.
Os abolicionistas festejaram uma sucessão de vitórias: Lei do Ventre Livre (1871), Lei dos Sexagenários (1885) e a Lei Áurea (13 de maio de 1888), assinada pela princesa Izabel, filha de Dom Pedro II.
A economia, da época, escudada nas atividades canavieira e cafeeira que, ao perderem a mão de obra escrava, culpavam a monarquia, pelos prejuízos que lhes foram causados.
Voltaremos oportunamente sobre o assunto.

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