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OPINIÃO

As mulheres no mercado de trabalho

09/01/2019 06:00
Susana Falchi - CEO em consultoria em RH

A participação das mulheres no mercado de trabalho ainda é muito incipiente perto do preparo das profissionais e do perfil que possuem. A taxa de ocupação das mulheres cresceu no Brasil, mas aquém do seu potencial. Entre 1960 e 1992, a participação do sexto feminino na ocupação formal saiu de apenas 16,5% para 43,4%. No entanto, nas últimas décadas, o percentual ficou praticamente estagnado. Atualmente, encontra-se ao redor de 46%, segundo o IBGE.
O levantamento Estatísticas de Gênero, divulgado pelo instituto em junho deste ano, demonstra que as mulheres são mais escolarizadas que os homens, mas têm rendimento médio 25% inferior. Além disso, no Brasil, 60,9% dos cargos gerenciais (públicos ou privados) eram ocupados por homens em 2016. Naquele ano, o rendimento médio mensal dos homens era de R$2.306; o das mulheres, R$1.764.
Mesmo considerando o rendimento médio por hora trabalhada, as mulheres recebem menos do que os homens (86,7%) e, segundo o IBGE, o diferencial de rendimentos é ainda maior entre os que possuem, ao menos, ensino superior. Neste grupo, em 2016, o rendimento das mulheres equivalia a 63,4% dos homens. Interessante notar que, além de precisarem estar mais preparadas para obter cargos executivos, nos quais ganham menos, as mulheres também agregam valor às organizações ao apresentarem menos riscos do que homens quando ocupam posições de comando.
Seja por causa da maternidade ou da sensibilidade mais aguçada, executivas são menos afeitas a incorrerem no equívoco de buscarem resultados a qualquer custo, seja desumanizando pessoas ou praticando fraudes. Números explicitam isso. Pesquisa realizada pela HSD Consultoria em RH avaliou o perfil comportamental de 3.500 executivos de médias e grandes empresas entre 2014 e 2017. Verificou-se que um em cada três homens tem desvio de caráter. Já entre mulheres, a proporção cai para uma a cada oito. Do total pesquisado, 27% dos participantes demonstram desvio de conduta que resultam em potenciais riscos para as empresas onde atuam.
As características femininas mudam o perfil de gestão de empresas. As corporações, no entanto, relutam em contratar mulheres para cargos importantes, como demonstram os dados do IBGE e a própria pesquisa da HSD. Dos 3.500 profissionais que foram avaliados no estudo, apenas 26% eram mulheres. Outra pesquisa, realizada pela Revista RI em agosto revelou que, das 64 companhias que integram o Ibovespa, apenas 36 contam com presenças femininas em seus conselhos e, mesmo assim, de forma modesta: 25 têm apenas uma; sete, duas, e quatro, três.
Algumas iniciativas controversas tentam reverter este quadro. Uma delas é o Projeto de Lei 7179/2017, que prevê cotas para mulheres nos conselhos de empresas públicas e mistas. Mas, este tipo de medida é controversa e até mesmo pouco efetiva, vide o que acontece na política. Apesar da existência de cota mínima (30%) de candidaturas de cada sexo em eleições proporcionais, estabelecida pela Lei 12.034, de 2017, as mulheres representam apenas 10,5% da Câmara na atual legislatura. Esta proporção (10,5%) é a mais baixa da América do Sul, enquanto a média mundial de deputadas é 23,6%.
Questiono o sistema de cotas, porque não é necessário. Basta que as mulheres sejam vistas como realmente são e se reconheça o quanto podem contribuir para as organizações. É a visão dos empresários que deve mudar. Mais do que impor a presença feminina por cotas, é preciso reconhecer suas características na liderança. As mulheres têm uma força enorme, são multitarefas por natureza, observadoras, têm facilidade para criar empatia, conseguem trazer seus valores para o seu processo decisório e buscam fazer o que é o certo, dentro de uma perspectiva de retidão, talvez até porque são chamadas o tempo todo para serem exemplo. Além disso, não se pode esquecer que os atributos femininos são complementares aos masculinos, o que resulta em maior efetividade nos negócios.

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