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OPINIÃO

Amizade um Tesouro

11/02/2019 06:00
Viviana Olivares Cardoso - é voluntária da Ceres - Associação Criciumense de Apoio a Saúde Mental.

A primeira vez que li o Pequeno Príncipe de Antoine de Saint-Exupery, adorei essa parte do diálogo, onde a raposa explica ao pequeno príncipe como nasce e se alimenta uma amizade. Como o domesticar-se, “construir pontes” leva tempo para uma pessoa e torna-se valioso para nós seres humanos.
A amizade é uma das melhores experiências da vida. Tudo parte de se sentir bem, à vontade e compartilhar afinidades com outra pessoa.
E essas sensações nos proporcionam todos os tipos de benefícios para a saúde. Sentimo-nos felizes e ao mesmo tempo pertencemos a um grupo social que nos aceita e nos compreende. Daí a importância da amizade para a saúde.
Neste verão, visitando minha mãe de 90 anos, que era cuidada e acompanhada por seus filhos, netos, sobrinhos, observei que ela reclamava de estar sozinha. Era estranho ela sempre estava com alguém ao lado dela.
Observando com mais atenção, compreendi como tem um forte peso emocional, a geração que temos que nascer e viver. Compartilhar um certo tempo da história, como sua música, modas, costumes, fatos históricos, nos une, dá-nos uma Identidade e quando nós perdemos amigos e familiares de nossos tempos, é difícil que as novas gerações preencham esse vazio.
Uma mulher idosa que conheci anos atrás, confidenciou-me que a coisa mais triste para ela era que todos os amigos de sua idade já haviam morrido.
Relacionando esta reflexão com a visão holística do ser humano, cada geração carrega programas mentais específicos, que facilitam a comunicação com os nossos pares e tornam difícil para antes de nós e depois de nós.
Há aqueles que argumentam que as palavras são mais do que comunicativas elas nos isolam, porque cada um de nós traduz seu significado de acordo com suas crenças e paradigmas que marcam cada geração.
Com a globalização e interligação excessiva e acelerada, estamos vivendo mais rápido com aplicações para facilitar a nossa comunicação, com excesso de exposição através de redes sociais não há tempo para domesticar, criar neurotransmissores através de conversas.
Olhando para os rostos em espaços físicos reais, percebe-se jovens com o mesmo sentimento de minha mãe, sentindo-se sozinhos, sem amigos e com dificuldade em expressar suas emoções.
DEIXO A INQUETUDE: Será a hora de recuperar os jogos como uma família? No jogo, as características emergem, as virtudes são praticadas e habilidades ou habilidades desconhecidas são descobertas. O  jogo nos permite conhecer melhor uns aos outros e unir diferentes gerações nele.

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