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OPINIÃO

Água, eletricidade, árvores e caos

17/01/2015 06:00
Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da Aspomil

Moradores de São Paulo - tanto da pe-riferia quanto de áreas nobres - vivem o drama do desabastecimento de eletricidade e água, interdição do trânsito pela queda de velhas árvores e outros problemas causados, segundo a justificativa, pelas tempestades de verão. Há relatos de famílias e estabelecimentos que perde-ram os alimentos estocados, de profissionais que deixaram de trabalhar e ga-nhar e até de vítimas feridas por causa da falta de água ou eletricidade. A falta de água resulta do esvaziamento da Cantareira e da seca prolongada, para a qual a chuva do último mês não serviu de solução. Mas a falta de eletricidade e o problema das árvores não se justificam, pois são decorrentes de fenômenos plenamente previsíveis e não prevenidos.
Até a falta de água deveria ter sido administrada desde o momento em que os reservatórios deixaram de se recompor completamente ao final das estações das chuvas. Se, já naquele tempo, os ope-radores tivessem lançado alertas e levado a população a economizar, não teríamos chegado ao ponto crítico de hoje.
As avarias nas redes de distribuição de eletricidade são fatos corriqueiros nos verões, quando o vento, a chuva e os raios são comuns. As companhias distribuidoras têm a obrigação de disponibilizar equipes de manutenção para a correção dos defeitos no menor tempo possível. Essa atividade também faz parte de seu quadro de atribuições e tem seu custo embutido nas tarifas cobradas dos consumidores. Toda a atividade econômica e a vida das pessoas dependem da eletricidade e sua falta representa o caos. O Governo, como poder concedente dos serviços, tem o dever de fiscalizar e exigir qualidade e agilidade das prestadoras de serviço que um dia contratou e nas quais confiou o sistema.
Quanto às árvores, todos sabemos que o Poder Público exerce férrea fiscalização sobre qualquer atividade da população. A licença para podar é dramática e cortar árvores problemáticas é impossível. Mas o próprio Poder Público não cumpre sua obrigação de fiscalizar e solucionar o problema de árvores que, por ataque de cupins ou outras razões, perderam a estabilidade e passaram a ser perigosas nas vias públicas. São muitas as reclamações e, quando ocorrem as chuvas mais intensas, centenas delas caem sobre veículos, rede elétrica e até em cima de pessoas.
Tanto em São Paulo quanto na maioria das cidades brasileiras, precisamos de mais comprometimento e zelo dos responsáveis pelo abastecimento e pelas árvores, que são ecologicamente importantes, mas exigem trato. Já que foram construídas as cidades, é preciso garantir o funcionamento dos serviços. Os Governos têm o dever de zelar pela regularidade dos serviços próprios e de seus concessionários.

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