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OPINIÃO

A Revolta do Sargento Silvino

31/10/2017 06:00
Ruy Hulse - Presidente de Honra do SIECESC

A proclamação da República, como dissemos, deu-se sem derramamento de sangue, porém as três sublevações, ocorridas na mesma época, contra o governo de Floriano Peixoto: a do Silvino, a da Aramada e a Revolução Federalista; custaram a vida de cerca de 12.000 homens.
No dia 19 de junho de 1892, ocorreu o levante do sargento Silvino Honório Macedo, contra o Governo de Floriano, objetivando reconduzir à presidência da República o Marechal Deodoro da Fonseca considerado, pelos revoltosos, o legítimo mandatário da Nação.
Com a bravura que lhe era peculiar, Silvino, com um grupo de adeptos, tomou todas as fortalezas que guarneciam a capital da República: Santa Cruz, Lage, São João e Pico.
O acontecimento revelou a personalidade de Floriano. Um governante nacionalista, enérgico, destemido, sóbrio, frio, calculista e, por vezes, generoso, porém violento e impiedoso com àqueles que se insurgiam contra o seu governo e contra aqueles que, veladamente, pretendiam restaurar a monarquia. Para estes era a prisão, a deportação ou o fuzilamento.
O levante do sargento Silvino surpreendeu o próprio governo pela sua façanha.
A reação veio logo. Floriano determinou que as forças navais reconquistassem as fortalezas, custasse o que custasse.
Após cerca de três meses a rebelião fora sufocada. Na tomada de Pico, com várias perdas de vidas de lado a lado; Silvino foi gravemente ferido na face, sendo hospitalizado.
Após deixar o hospital Silvino foi preso e expulso do exército, tendo revelado que, por trás do movimento, estavam o contra  almirante Custodio de Melo, Saldanha da Gama e o marechal reformado José Almeida Barreto. Todos juraram inocência.
Ante a bravura de Silvino, Floriano o anistiou e ainda interferiu para que lhe dessem um emprego na Imprensa Oficial de União.
Silvino, espirito irrequieto, abandonou o emprego e manifestou desejo de voltar para Pernambuco, sua terra natal.
Floriano penalizado com o estado de penúria de Silvino, ante sua bravura, deu-lhe 100 mil reis para voltar junto de seus pais, residentes em Recife. Silvino não foi para Recife; aliou-se a Revolta da Armada contra Floriano.
Sufocada a Revolta, Silvino refugiou-se no navio belga Wordswort e como passageiro clandestino desembarcou em Recife.
Reconhecido foi preso e levado ao governante de Pernambuco Alexandre José Barbosa Lima que, consultou Floriano o que fazer com Silvino.
A resposta foi seca: Fuzilem-no sem formalidades.
Voltaremos ao assunto.

 

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