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OPINIÃO

A participação da mulher na Universidade

08/03/2018 06:00
Mayara Cardoso

Profa Dra Luciane Bisognin Ceretta - Reitora da UNESC
Profa Dra Indianara Becker - Pró-reitora acadêmica da UNESC
Profa Dda Gisele Coelho Lopes - Chefe de gabinete da reitoria da UNESC

O debate sobre as relações entre gênero e educação tem-se mostrado fundamental para a interpretação das sociedades contemporâneas, assim como para a definição de estratégias de desenvolvimento no campo educacional. Por todo o mundo, as desigualdades de gênero estão presentes na história da educação, de que as mulheres são recorrentemente excluídas ou têm sua participação pouco valorizada. Atualmente, no caso brasileiro, é possível observar um processo de mudança nesse cenário. Um indicador é o incremento da presença de mulheres no ensino superior, por muitos anos considerado um privilégio masculino. Ainda que seu impacto na transformação do campo educacional e científico demande análises e problematizações, é inegável que a presença feminina nesse nível de ensino tem aumentado significativamente no Brasil.  É preciso compreender que o acesso da mulher à educação regular e o seu ingresso na educação de nível superior foi marcado por uma cultura patriarcal e conservadora. O direito para a mulher ter acesso ao ensino superior foi adquirido ainda no século XIX, precisamente, após o retorno dos Estados Unidos de duas jovens recém-formadas em Medicina. Pelos grandes centros urbanos daquele período, também circulavam, através de periódicos, informações sobre o feminismo, reivindicando o ensino não diferenciado entre homens e mulheres (primeira onda do feminismo). A participação  no ensino superior contribuiu para o aumento de seu desempenho em campos sociais, políticos e econômicos, ampliando os espaços profissionais. As populações masculina e feminina empregadas formal ou informalmente se distribuem de forma distinta tanto nos segmentos das atividades econômicas como na distribuição interna de cargos nas empresas, e, ainda que o determinismo biológico venha sendo questionado, a heterogeneidade de gêneros nas organizações muitas vezes ainda reproduz essa segregação, direcionando mulheres para determinados cargos e homens para outros, não se caracterizando assim, de fato, uma diversidade nas organizações. Pesquisas do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira - INEP (2016) salientam que, nos últimos treze anos, o número de mulheres matriculadas em instituições de ensino superior cresceu 22% a mais que as matrículas de homens.  Na UNESC, as mulheres perfazem um total de 56% do total de trabalhadores, entre técnico – administrativos e docentes. Na graduação e pós graduação (lato sensu, mestrados e doutorados) 62% e 64% respectivamente, são alunas. Na pesquisa, dos professores nos programas de mestrado e doutorado, as mulheres perfazem um total de 68%, o que justifica os tantos prêmios recebidos por nossas professoras pesquisadoras em âmbito nacional e internacional, com foco em mulheres na ciência. Também é possível fazer uma análise da participação da mulher em cargos de gestão na UNESC, quando 67% dos cargos são de mulheres (Pró Reitoria Acadêmica, 2018). A universidade, o ensino, a pesquisa científica e a extensão têm importante papel educacional e político em diversos âmbitos do projeto de desenvolvimento brasileiro, tanto como estratégia para emancipar mulheres e homens através da formação profissional, quanto na missão de ofertar à sociedade uma reflexão crítica relevante sobre si mesma, de maneira a aprimorar a própria vida social.

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