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OPINIÃO

A neve e o presidenciável no casarão: Centro Cultural Jorge Zanatta, capítulo 12

19/11/2018 06:00
Denis Luciano - Jornalista

“Há muitos anos não se tem notícia, neste município, de um inverno tão rigoroso quanto o atual”, mancheteava Tribuna Criciumense na edição de 8 de agosto de 1955. A notícia fazia referência à semana anterior, em particular àquele domingo, 31 de julho, em que vários pontos da cidade branquearam. Não era uma geada. Foi algo mais forte. “É neve, é neve”, disse o radialista Ézio Lima, que cedo passou diante da Igreja São José naquela manhã, quando rumava para o expediente dominical na Rádio Eldorado e cumprimentava, sob pesado casaco, os primeiros corajosos que cedo chegavam para a celebração dominical do padre Cizeski.
Foi a primeira e última aparição da neve, atestada pelos estudiosos do clima, por aqui. As telhas francesas grossas abriam espaço nas suas cores características ao branco, não abundante, mas o suficiente para ilustrar o frio abaixo de zero. O inverno castigava os trabalhadores do casarão da Pedro Benedet, afinal o lugar era alto, em uma vizinhança carente de edificações e abundante de vegetação e espaço. Nos dias daquela semana as portas e janelas permaneciam fechadas, à espera das batidas dos visitantes e eventuais curiosos e necessitados de algum serviço.
Cabe lembrar que, do pátio do casarão, brotava a água encanada de Criciúma, que chegava a um restrito punhado de residências dos mais abastados do entorno. Ali operava o primeiro serviço de tratamento, rudimentar tratamento, e distribuição de água da cidade, graças ao poço aberto no pátio. Poço que também foi coberto pelo granulado branco da nevasca criciumense.
Foi sob este frio rigoroso que, pela primeira vez na sua história, além da neve, Criciúma recebia outro visitante ilustre. E ele pisou no casarão da Pedro Benedet. O primeiro candidato à presidência da República a passar pela cidade, o integralista Plinio Salgado. Homem de extrema-direita, recebeu calorosos abraços quando dos discursos feitos em Criciúma naquele agosto de 55, em plena marcha da campanha presidencial. Cabe lembrar, porém, que os aplausos ao candidato do PRP derivavam à margem dos caciques locais, sempre repartidos entre a UDN e o PSD, e os que comungavam do trabalhismo de Vargas no PTB, então acoplado à candidatura Juscelino, que venceu os mais fortes concorrentes Juarez Távora e Adhemar de Barros. Plinio foi o quarto, 8% dos votos, mesma lógica seguida por aqui. Mas a visita ao casarão rendeu a ele conhecimentos sobre a indústria carbonífera que, a partir de 1958, o líder perrepista levaria à Câmara Federal, como deputado pelo Paraná.

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