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OPINIÃO

A Filosofia e o “Pulso”

13/04/2018 06:00
Professor Pedro Paulo de Miranda - Membro da Academia Criciumense de Filosofia (ACF)

Por certo, muitos já ouviram a música intitulada “Pulso”, do cantor e compositor Arnaldo Antunes (ex-Titãs). Para os que não ouviram ou conhecem a letra, eis um recorte, “Peste bubônica, câncer, rubéola, [  ], difteria, encefalite” e segue elencando outras patologias, dentre as quais o ser humano está suscetível. Tudo indica parecer um “elogio” à morbidez!  Todavia, o referido texto musical, igualmente, apresenta o avesso, ou seja, a possibilidade da reversão do quadro, isto é, o caminho percorrido da recuperação à cura, cantada assim, “o pulso ainda pulsa”. Desta maneira, a canção descreve a existência das múltiplas anomalias presentes em inúmeras culturas, além de destacar o binômio doença-cura. Dito isso, a composição oportuniza ao ouvinte algumas reflexões, progredindo dos casos clínicos até “incursões” no âmbito sociopolítico, portanto nesse domínio registram-se alguns exemplos, é o caso do conflito entre Israel e Palestina, bem como a guerra na Síria, ou ainda, a questão Coréia do Norte relativo aos testes com material bélico.  Mas afinal, que ligação existe entre os cenários citados e o ocidente? Para confirmar o elo que une o cidadão planetário, recorro a um fragmento da poesia de John Donne que diz, “a morte de cada homem me diminui, pois faço parte do gênero humano”, logo parte de cada individuo se esvai quando alguém “tomba” em tais circunstâncias. Contudo, destaca-se que o Brasil não escapa ao dramático panorama mundial, uma vez que é recordista na escalada da violência, tendo em vista que o número de homicídios no ano de 2016 superou 52 países somados, para ser mais preciso, é o continente europeu inteiro, os EUA e a China. É pouco?! Parece que não! Guardando as proporções e de menor grau de letalidade, salvo melhor juízo, verifica-se rotineiramente nos mais variados espaços, ao vivo e em cores, batalhas de toda sorte, sendo politico ideológico, religiosa, étnica, entre outras. Na singularidade dos citados embates observa-se algo em comum, a substituição do argumento consistente pelo escárnio e a sobreposição da violência simbólica e/ou física em detrimento da razoabilidade. Por fim, cabe indagar que tempos são esses, onde o mórbido é “distribuído, diluído, consumido” e estimulado? Tempos de crise, cujo conceito “lato sensu” é o fim daquilo que não serve mais e o anúncio de um futuro que sequer está identificado? Independentemente da resposta, algo está evidenciado, qual seja e pelo que tudo indica “O corpo ainda é pouco”, como revela a canção.

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