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OPINIÃO

A datilografia e as promessas da CSN: Centro Cultural Jorge Zanatta, capítulo 10

13/11/2018 06:00
Denis Luciano - Jornalista

Aprender datilografia era requisito básico para disputar um bom emprego naquela Criciúma dos anos 50. No casarão da Pedro Benedet, por exemplo, ser um burocrata do Plano Nacional do Carvão exigia ter o diploma de um dos disputados e festejados cursos que, em três meses, ensinavam a arte da escrita por teclados, nas pesadas máquinas Remington que repousavam sobre as mesas ávidas pelos muitos documentos da muita burocracia que por ali passava.
Bem adiante da prosaica preocupação de contar com bons burocratas com habilidades datilográficas para colocar no papel as muitas ideias, projetos e causas que se multiplicavam dos corredores e das atividades técnicas do plano que pesquisava o carvão, o coronel Osvaldo Pinto da Veiga, diretor executivo da repartição, lidava com uma pesada lista de demandas naquele 23 de maio de 1955, quando o exemplar de Tribuna Criciumense chegava às ruas com a manchete “Grandioso plano de assistência social para a região carbonífera”.
Os mineradores promoveram uma reunião em Siderópolis para reivindicar atitudes mais profundas no sentido de oferecer assistência social aos trabalhadores das minas de carvão. Tudo isso era de interesse no casarão da Pedro Benedet, já que, cada vez mais, as demandas do operariado encontravam eco, embora a representação sindical estivesse longe ainda de gerar o barulho que geraria anos depois.
Porém, para frustração dos presentes na importante reunião, o presidente da Companhia Siderúrgica Nacional, general Edmundo de Macedo Soares da Silva, a CSN que possuía forte campo de lavra em Siderópolis, afirmava que era elogiável a preocupação, mas que já existia um plano federal visando oferecer tal assistência. A notícia refere que o problema já era pauta na capital, Rio de Janeiro, desde 1949. Já naquele tempo a burocracia estatal fazia das suas... A proposta, na época, era esta, reproduzindo do artigo de Tribuna Criciumense: “Tendo nessa ocasião os mineradores catarinenses se comprometido em doar um cruzeiro por tonelada de carvão extraído, como auxílio para a solução dessa tormentosa questão, que é o da assistência integral à família do trabalhador das minas”.
Mal sabiam os mineradores e todos os envolvidos que, por vias indiretas, estava nascendo o esboço da futura Sociedade de Assistência aos Trabalhadores do Carvão, que nas décadas seguintes marcaria época em firmar as primeiras bases para o necessário amparo social a quem trabalhava nas minas de carvão.
Ah, na tarde de um domingo, dia 15 de maio, o casarão recebia a ilustre visita do presidente da CSN e do diretor executivo do Plano do Carvão, mas isso é conversa para outra hora.
 

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