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OPINIÃO

A crise ambiental

07/06/2018 06:00
Mayara Cardoso

Miriam da Conceição Martins – professora doutora da Unesc e presidente do Fórum de Restauração e Revitalização do Rio Mãe Luzia

Carlos Renato Carola – professor doutor, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) e líder do Grupo de Estudo e Pesquisa em História Ambiental e Educação (Gephae) da Unesc


A crise atual não é uma crise pertinente a um indivíduo, a uma sociedade, mas uma crise de dimensões planetárias que requer uma profunda mudança na forma de perceber e compreender o mundo, nas relações e nas inter-relações entre os diversos organismos que habitam o planeta. Exige-se uma revisão de valores, hábitos, atitudes e estilos de vida, na tentativa de criar um meio ambiente físico, mental e espiritual mais saudável e que cause menos problemas às gerações vindouras e criar mais políticas públicas de preservação e restauração de ambientes degradados.

É preciso uma revisão dos princípios éticos responsáveis pela intermediação das relações interpessoais e sociais, ou seja, é necessário repensar o modelo de sociedade que impera no mundo. Tal evolução da relação homem/natureza e dos paradigmas dominantes resultou em uma crise de percepção da realidade, como sugere Capra (1996). Segundo o autor, os diversos problemas enfrentados na atualidade não podem ser entendidos isoladamente, uma vez que são interligados e interdependentes.

Por esse motivo, os problemas socioambientais devem ser compreendidos como as diferentes facetas de uma mesma crise, derivada de uma racionalidade moderna de origem eurocêntrica que substituiu o Deus cristão da cultura medieval pelo Deus Capital/Racional da cultura europeia moderna. A partir da globalização eurocêntrica que se inicia em 1492 (com a chegada de Cristóvão Colombo) e atinge sua plenitude no final do século XX, a face oculta ou invisibilizada da modernidade se manifesta ao mundo na forma de uma crise ambiental planetária, cuja evidência mais impactante é o Aquecimento Global.

O que fazer? Por onde começar? Começar usando um dos recursos mais característico e valorizado da condição humana: a capacidade de pensar, de refletir e de fazer perguntas. Nesse contexto de crise profunda, há que se parar, pensar e fazer perguntas existenciais: Quem somos? O que estamos fazendo no dia a dia? Por que estamos destruindo nosso lar maior, o Planeta Terra? A crise ambiental origina-se pela própria crise da existência humana, o que leva à defesa por uma mudança radical de paradigma civilizatório: nossos valores, pensamentos e percepções em relação ao mundo. Este paradigma, denominado de holístico ou visão ecológica, concebe o mundo de forma interligada e interdependente, uma visão de mundo que percebe e compreende a complexidade da natureza planetária que promove a vida para todos os seres vivos.

Dessa forma, a natureza passaria a ser percebida como uma totalidade complexa, ao invés de desordenada e passiva; ou ser vista apenas como “recurso” a ser explorado. Ao mesmo tempo, o homem não seria uma entidade fechada e excluída dessa totalidade, mas um sistema aberto, autônomo e dependente no seio de uma complexidade na qual tudo é mais e menos que a soma das partes. Na história geológica e biológica da natureza do Planeta Terra, constata-se de forma inequívoca de que o equilíbrio ecológico do sistema planetário só é possível com a preservação da biodiversidade (seres vivos), da diversidade cultural humana e dos ecossistemas naturais (água, solo, ar, florestas...).

A degradação do meio ambiente é um problema que passa pela história cultural do ocidente moderno, voltada para a tecnologia e concentração de capital, que tem por meta a produção em massa e a padronização de mercadorias, dando a ilusão de um crescimento ilimitado, privilegiando alguns segmentos da sociedade em detrimentos de outros. Na cultura capitalista, a “competição” é diariamente valorizada e estimulada como um princípio “natural” da vida. Estimula-se a competição econômica e comercial, a competição esportiva, a competição científica, a competição entre indivíduos, grupos sociais e países, que resultam em violências e guerras intermináveis.  

Hoje o homem é capaz de lançar um foguete à lua e trazê-lo de volta, mas é impotente para controlar a poluição atmosférica ou, até mesmo, controlar um incêndio em uma floresta. Torna-se um contrassenso tal avanço tecnológico em detrimento da preservação da vida. Busca-se a vida em outro planeta, todavia não se preserva a vida em nosso próprio planeta.

Chegamos ao Século XXI, com a sobrevivência ameaçada do Planeta e, consequentemente, do ser humano. Começa-se, então, a se voltar para a natureza com outros olhos, os de aprender com ela.

Em razão da importância da conscientização e da dimensão do impacto gerado pelo homem, o Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho) é uma data que merece bastante destaque no calendário mundial. Entretanto, não basta apenas plantar uma árvore ou separar o lixo nesse dia, é necessário que sejam feitas campanhas de grande impacto que mostrem a necessidade de mudanças imediatas nos nossos hábitos de vida diários; é necessário parar, pensar e refletir sobre o que estamos fazendo ao Planeta Terra, o que estamos fazendo aos outros grupos humanos e aos seres vivos em geral.

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