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ENTRETENIMENTO

EU VI - Dream Theater na Ópera de Arame, em Curitiba

28/06/2016 08:17
Foto por Clique para Ampliar
Alê Koga - Especial

Com trinta anos de estrada o Dream Theater construiu uma base de fãs sólida através de seus discos e nunca precisou se vender ou estar na televisão para se manter vivo. Atualmente o grupo norte-americano comemora o lançamento do seu 13º, e mais ousado, disco de estúdio - “The Astonishing” fazendo uma turnê mundial que obviamente teve o Brasil como parada obrigatória. O Jornal A Tribuna e a Rádio Som Maior, representados pelo Programa do Avesso, estiveram presentes na apresentação de Curitiba para fazer a cobertura com exclusividade para os leitores de Santa Catarina.

Dessa vez o quinteto não veio fazer uma apresentação para aqueles que gostam de curtir os clássicos. Eles trouxeram um show de 2h40min de duração dividido em 2 atos com a execução na íntegra das 34 músicas que compõem o “The Astonishing”. Você pode estar se perguntando por que falar sobre uma banda ou um show que quase ninguém além dos fãs conhece, certo? A ideia é justamente trazer à tona uma nova perspectiva para todos os amantes de música e “virar do avesso” os conceitos e valores pré estabelecidos principalmente quando o assunto é Rock. Se tem uma banda que sabe muito bem como despertar isso, é o Dream Theater. Não vem ao caso relatar aqui todos os feitos que dão esse título a banda, mas resumindo: quando você acha que a banda não tem mais como inovar, lá estão eles provando o contrário.

Foram três anos planejando e elaborando o que foi apresentado no palco, e mais do que um show de música, o que assistimos no último sábado (25/06/2016) na belíssima Ópera de Arame foi literalmente um espetáculo.

Luzes e telões de L.E.D foram coadjuvantes essenciais para oferecer uma experiência completa e clara do que faltava para fechar todo o cenário da trilha sonora por trás de um disco duplo que conta uma história que se passa no distópico ano de 2285 onde a música é feita por máquinas e não por humanos. 

A apresentação iniciou-se pontualmente às 20h30 e diferente da maioria dos shows, uma exigência da banda para essa turnê é que os locais acomodassem as pessoas sentadas, como em uma peça teatral, o que ajudou a compor todo o clima para entra de cabeça na história. Os ruídos dos NOMACS logo tomaram nossos ouvidos e na sequência vieram as primeiras notas de Dystopian Overture, que automaticamente fez o público se sentir  em casa com a musicalidade única e característica do Dream Theater.

As imagens em 4D no telão juntamente com os climas criados pelas luzes davam indícios que estávamos vivenciando diversos momentos e situações e ficou claro que realmente tratava-se da produção mais elaborada que já assisti do Dream Theater. E isso ficou muito mais evidente devido as várias interpretações do “maestro” James Labrie, que executou muito mais do que o seu papel de vocalista e deu vida aos diversos personagens da história através das suas interpretações e mudanças de voz.

E era natural que John Petrucci (guitarra), por ser o produtor e compositor de todo o projeto, se mostrasse em alguns momentos do show, principalmente durante a música “A New Beginning”, onde executa um solo mais longo, daqueles que só ele sabe compor. Jordan Rudess (teclado)  também aparece bastante e muito mais “pianista” do que tecladista e mesmo sem os clássicos solos cheios de virtuosismo e notas, arrancou um tímido coro da plateia gritando o seu nome após “Moment of Betrayal”. Mike Magini (bateria) e John Myung (baixio) cumpriram muito bem a função e mantiveram a “cozinha” funcionando a todo vapor!

Outro fato interessante é que estava terminantemente proibido fotografar ou filmar durante  o show, exceto nas duas músicas finais (“Our New World” e “Astonishing”) após LaBrie pedir para que todos se levantassem e cantassem com ele. Ambas as faixas já soam como “final feliz” e contribuíram para que muitos que estavam literalmente se segurando na cadeira extravasem a emoção sentida durante todo o show e que em alguns momentos chegou a ser hipnótico.

Talvez para alguns tenha sido apenas a apreciação de mais um trabalho musical incrível do Dream Theater, mas para muitos apreciadores da banda foi uma experiência única que só quem é fã da banda e espera por algo de tirar o folego consegue vivenciar. Assistir à esse show foi encerrar com chave de ouro a experiência vivenciada desde o pré-lançamento do álbum, foi assistir toda aquela história ganhar vida e sentido. Que venham a Broadway, Hollywood, jogos e tudo mais que possa enriquecer mais ainda essa história que transcendeu a música.

THE ASTONISHING

ACT I
1. Descent of the NOMACS
2. Dystopian Overture
3. The Gift of Music
4. The Answer
5. A Better Life
6. Lord Nafaryus
7. A Savior in the Square
8. When Your Time Has Come
9. Act of Faythe
10. Three Days
11. The Hovering Sojourn
12. Brother, Can You Hear Me?
13. A Life Left Behind
14. Ravenskill
15. Chosen
16. A Tempting Offer
17. Digital Discord
18. The X Aspect
19. A New Beginning
20. The Road to Revolution

ACT II
1. 2285 Entr'acte
2. Moment of Betrayal
3. Heaven's Cove
4. Begin Again
5. The Path That Divides
6. Machine Chatter
7. The Walking Shadow
8. My Last Farewell
9. Losing Faythe
10. Whispers on the Wind
11. Hymn of a Thousand Voices
12. Our New World
13. Power Down
14. Astonishing

PERSONAGENS

- Gabriel: este é o irmão do rebelde Arhys, e salvador de Ravenskill; pessoas pensam que ele é o escolhido; ele possui uma forte aliança com seu irmão e com a princesa Faythe, filha do imperador; tem complexo de John Connor: luta, mas questiona se ele é realmente o messias que as pessoas pensam. Sua arma principal é o seu dom da música, que usa para ajudar as pessoas a se curarem e a lutarem contra a falta de expressão e inspiração. É visto como uma ameaça pelo imperador Nafaryus e a estabilidade de seu império.

- Imperador Nafaryus: também conhecido como Lorde Nafaryus; marido de Arabelle, usa sua supremacia e poder para controlar riquezas e espalhar a dependência econômica em um sistema que oprime os cidadãos do império. Ganancioso e faminto pelo poder, o aristocrata sente-se ameaçado pela influência de Gabriel, que é tido como um messias pelo pequeno vilarejo de Ravenskill; e com a crescente influência dos NOMACS, ele fará de tudo para não permitir que sua filha, a princesa Faythe, seja influenciada pela presença magnética de Gabriel.

- Arhys: este é o comandante da Ravenskill Rebel Militia; viúvo de Evangeline, seu único amor, que deu à luz a seu filho Xander e morreu no parto. Ele acredita que seu irmão Gabriel é o escolhido para, através do dom da música, trazer a paz ao povo do império, e por isso luta contra as forças de Nafaryus na revolução para trazer paz e harmonia ao povo de Ravenskill. Acima de tudo, ele luta para manter sua palavra à esposa morta e garantir uma vida melhor a seu filho. Foi tentado pelo Príncipe Daryus a trair seu irmão Gabriel em troca da liberdade de seu filho, tendo então que escolher entre a lealdade à seu irmão e o futuro de Xander.

- Faythe: esta é a princesa de GNEA, irmã de Daryus e filha de Nafaryus e Arabelle. Ela tem a síndrome da princesa da Disney, ou seja, procura, fora do palácio e do conforto onde mora, algum sentido em sua vida. Sua paixão por música e pela vida foi o que a atraiu aos charmes de Gabriel em primeira instância, especialmente após ter ouvido ele cantar pela primeira vez. Esta conexão dela com o líder da Ravenskill Rebel Militia é o que a impulsiona a ser a líder passional e justa que seu povo precisa.

- Daryus: é irmão de Faythe, filho de Nafaryus e Arabelle. Ele respeita muito seu pai, porém, tem um grande ciúme de sua irmã ser a favorita para o trono, e está cansado de viver na sombra de Faythe. Seu objetivo é acabar com essa situação apreendendo Gabriel e apresentando seu prisioneiro diante de seu pai. É um conspirador que se usa do amor de Arhys pelo seu filho Xander, como isca para levá-lo a trair seu irmão Gabriel.

- Imperadora Arabelle: é mulher de Lorde Nafaryus e mãe de Faythe e Daryus. Ela é uma mulher extremamente fiel à sua família e a seu marido. Apesar dos exageros e defeitos de Nafaryus, é ela a voz da razão que o guia quando ela percebe que o Lorde está sem visão ou indo para um caminho que pode levá-lo à ruína. Ela não tem medo de desafiar seu marido a ver as coisas de uma perspectiva diferente. Intuitiva e solidária, ela apóia a paixão de Faythe pelo rebelde Gabriel, mesmo que Nafaryus o veja como uma ameaça; também sabe perdoar as transgressões de Daryus, que puxou à ganância por poder de seu pai. Ela é a balança que pode trazer equilíbrio entre o império e o povo que governa.

- Evangeline: é a falecida mulher de Arhys e mãe de Xander. Ela veio a morrer no momento do traumático parto de seu filho. Foi o único amor verdadeiro de Arhys. Tendo vivido uma vida de sacrifícios em meio à pobreza e adversidades, ela sempre foi a inspiração de Arhys para que ambos tivessem forças para lutar por um reino onde Xander pudesse viver feliz e em paz, longe da opressão que eles vem sofrendo. Em seu leito de morte, ela recebeu o juramento de seu marido que iria continuar lutando até que a realidade a sua volta mudasse, e eles fossem livres.

- Xander: é o filho de Arhys e Evangeline, e sobrinho de Gabriel. Até os seus 8 anos, nunca conheceu sua mãe. Arhys o protege e o guia em meio ao mundo caótico em que vivem. O menino é a razão pela qual Arhys luta por uma vida melhor. O menino possui um olhar jovem e otimista em relação ao futuro, mesmo com todos os problemas. Em memória à sua mãe, ele usa a cruz que antes pertencia a ela, para honrar o seu sacrifício máximo ao lhe trazer à vida. Confia plenamente em seu pai que lhe mostra o quanto é importante lutar pelo que se acredita, e em seu tio Gabriel, que lhe mostra o quão libertador é o poder da música e da expressão criativa.

 

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