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Henrique Packter

LAERSON NICOLEIT, primeiro médico na Fumaça

15/12/2018

Essa sexta-feira, 14 de dezembro de 2018, é dia destinado a ser cultuado na história citadina porque é nesta data que a municipalidade entrega à população, restaurado e em estado de novo, o Centro Cultural Jorge Zanatta. Nos últimos tempos, muito se escreveu a respeito deste prédio, parte indissolúvel de nossa história. O jornalista DENIS LUCIANO realiza na TRIBUNA obra de fôlego, destinada a ser incorporada aos nossos documentos mais preciosos e que vem narrando em detalhes a saga do Centro Cultural Jorge Zanatta desde os seus primórdios. De parabéns estão a edilidade criciumense, a iniciativa privada representada pela família Jorge Zanatta e o executivo municipal na pessoa do Prefeito Clésio Salvaro. O Prefeito, em duas oportunidades, na restauração do imóvel e na firmeza com que tem defendido a destinação do casarão para a Cultura Criciumense, posicionou-se ao lado dos superiores interesses de nossa população.
A Casa retorna às nossas mãos, como endereço maior da Cultura de nossa gente.  

A FCC E O CASARÃO
Em 1993, como hoje, a sociedade Criciumense, mobilizada desde a primeira hora, entendeu a importância de trazer o Casarão da Pedro Benedet de volta à sua utilização para atividades culturais do município. Dentro da própria Fundação, já em 1993, esse movimento assumiu característica de prioridade. É de justiça destacar o trabalho de Liliane Motta da Silveira, empresária na área de comunicações e minha substituta eventual, além de Sayonara Meller, Diretora de Ação Cultural, Gilberto João de Oliveira, diretor Administrativo e Financeiro; Brigite Gorini, Diretora do Teatro; Adilamar Rocha, Carlos Lacombe, Osmar Piovesan, assessoria contábil; Paulo Vieira Aveline, assessor jurídico; maestro Tyrone Mandelli, Maria de Lourdes Benedet e Yara Gaidzinski. Também Júlio Lopes, Márcio Arcângelo Zaccaron, Acélio Casagrande e Nei Manique Barreto.
Também José Augusto Hülse representante da SULCATUR, Mário Belolli, na comemoração de datas históricas, Branca Tonon, Gundo Steiner, Gilberto Oenning, Amarildo dos Passos, Clóvis Marcelino, Olide Tibulo, Irma Tasso, Eliana Mandelli (Coral da FCC), Isis G. Borges, Grupo Maximiliano Gaidzinski (Espaço Cultural da Praça Nereu Ramos), 16 exposições em 1995. A FCC substituiu o busto em cimento de Marcus Rovaris por outro em bronze (4.11.1995) com colocação de nova placa alusiva à substituição. Comemoramos o 30º aniversário de fundação da Associação Coral de Criciúma com entrega de placa da FCC. Comemoramos os Setenta Anos de Emancipação Política e Administrativa do Município em 4.11.1995 com a presença de seu primeiro magistrado e que discursou, o Dr. Euclides Cerqueira Cintra.
Tínhamos 300 alunos matriculados em nossas Oficinas com cursos de música, dança, artes plásticas, teatro e canto coral.

O TEATRO DA CIDADE
O Teatro Elias Angeloni tem 739 lugares e é de 30.1.1983, criado pelo Prefeito Altair Guidi. Foi totalmente recuperado pela jornalista Brigite Gorini, sua diretora em nossa administração. Espetáculo de estreia do teatro foi com o ator Paulo Gracindo em atuação consagradora. São 35 anos de relevantes trabalhos à cultura de nossa região.

A BIBLIOTECA PÚBLICA
A Biblioteca Municipal Donatila Teixeira Borba, sua primeira diretora, é de 2.12.1944, criada com acervo do Clube Recreativo Mampituba. A FCC comemorou o cinquentenário de fundação de nossa biblioteca que contava cerca de 16 mil títulos à época. Criamos um trabalho de extensão comunitária, as Bibliotecas Itinerantes, que percorriam nossos bairros de quintas a sábados. Eram dois reboques equipados com sistema de TV, vídeo e acervo de cerca de mil volumes cada um. Desenvolviam atividades recreativas, teatro de fantoches, desenho e pintura. Uma vez por mês o atendimento estendia-se às pediatrias dos hospitais da cidade com espetáculos especialmente dedicados às crianças hospitalizadas. A imprensa tem noticiado a intenção do Prefeito Clésio Salvaro de transferir a Biblioteca Municipal para o Centro Cultural Jorge Zanatta. Se for possível eliminar os ruídos que a localização e a utilização do Casarão propiciam, a ideia é excelente para um órgão municipal que tanto peregrinou por nossa cidade.

UM PROJETO PARA O MUNDO
A 3.11.1994, a FCC desenvolveu o Projeto Eclipse, a cargo de Adilamar Rocha. O notável trabalho desta nossa funcionária obteve reconhecimento internacional. Quatro minutos e três segundos foi a duração do fenômeno em nosso município, a maior duração do mundo habitado por humanos. O professor Luiz Carlos da Silveira, da UNESC, Departamento de Engenharia Agrimensura, elaborou um manual Fundamentos de Astronomia, eclipse de 3.11.1994, além de protagonizar a criação de elementos para proteção dos olhos na observação do espetáculo estelar.  Durante os meses que antecederam o eclipse solar total, panfletos foram distribuídos para esclarecer a população a respeito dos cuidados a serem tomados para observação do fenômeno, entrevistas em rádio, jornal e TV. Astrônomos do mundo inteiro correram para Criciúma a fim de documentar o eclipse. Como resultado, nenhum caso de lesão ocular foi registrado, fato virgem na história dos eclipses totais de sol. A divulgação e distribuição do material começou seis meses antes, nos eventos Ação Global e Ação Municipal. Guiomar Back, esposa do pediatra Solon Back, foi grande colaboradora para o êxito desse projeto. O próximo eclipse total do sol visível no Brasil será no nordeste em 2.8.2046.

A QUERMESSE DE TRADIÇÃO E CULTURA
A partir de uma ideia de Ademar Costa, saudoso amigo e esposo da legendária colunista Beverly Godoi Costa, foi criada a Festa da Primavera. Ela foi origem da nossa Quermesse que se desenvolvia na Praça Nereu Ramos, tornada pequena, porque a festa assumiu proporções inesperadas. Já na nossa época tivemos de transferi-la para o espaço do nosso Parque Centenário.
O evento exibia a música, a dança e a cultura dos grupos étnicos que construíram nossa cidade, além da sua culinária.
Ainda penso que o grande mérito da Quermesse foi mostrar que, mesmo com a barreira da língua e da diversidade cultural, conseguiram os primitivos habitantes da região integrar-se sem serem assimilados culturalmente. Absorveram e se beneficiaram do conhecimento trazido por outras culturas e potencializaram essa experiência, favorecendo sua própria cultura. Cada um dos primitivos habitantes da região teve de superar obstáculos inenarráveis para dividir sua solidariedade e buscar caminhos comuns com outras culturas que redundaram no atual modelo brasileiro praticado em nossa região.

O CASARÃO
No momento em que se restaura e resgata esse precioso imóvel, é de inteira justeza e justiça revelar, mais uma vez, os nomes das pessoas que construíram a Fundação Cultural de Criciúma, FCC, em boa hora criada pelo Prefeito Eduardo Pinho Moreira.
A FCC foi criada pela Lei 2.829 de 15.3.1993 e teve seu estatuto aprovado pela edilidade em 19.11.1993. O Conselho Deliberativo, representando todos os segmentos de nossa sociedade, compunha-se de 28 membros, representando o mesmo número de entidades. Como cinco delas não manifestaram interesse em participar, decidiu-se que 23 representantes já estava de bom tamanho.
Nos anos 30 vem a doação do imóvel da família do coronel para a municipalidade construir uma escola. Em 1944 é a doação para o governo do Estado. Doada em 1976 para a União. Em 1942 era sede do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). A 7 de maio de 1993, após contatos com Luiz Felipe Seara, diretor do DNPM para SC, a FCC passou a ocupar metade do Casarão. Oficialmente, isto ocorre desde 26.4.1994, após reunião na Procuradoria-Geral da República em Brasília, presentes Luiz Henrique da Silveira, então deputado federal e presidente do PMDB nacional, Eduardo Pinho Moreira, Liliane Motta da Silveira, Henrique Packter e a decisiva participação do Presidente do Tribunal de Contas da União, o Ministro Adhemar Paladini Ghisi. Ficou definido que o Casarão seria ocupado em todas as suas dependências pela FCC. Toda a questão foi sacramentada em 24.11.1995, quando a FCC e o senador Jorge Konder Bornhausen estiveram reunidos na Assembleia Legislativa em Florianópolis, obtendo seu apoio para a ocupação definitiva do imóvel.
Nunca será demais ressaltar que a restauração do Casarão deve-se a Jorge Zanatta, empresário e cidadão íntegro, exemplo em nossa comunidade. Ele compreendeu o alcance de atitudes de cidadania como a doação de haveres em benefício da população.

PROJETO MEMÓRIA CULTURAL
MUSEU AUGUSTO CASAGRANDE

Doado pela família Joacy Casagrande Paulo em 19.5.1978 à Prefeitura de Criciúma, cuja restauração começou naquele ano mesmo. O Museu foi inaugurado em 9.1.1980, durante a comemoração e festejos do Centenário de Criciúma, na administração de Altair Guidi - Mário Sônego. Durante nossa administração, o Museu, que estava sob direção de Iara Gaidzinski, foi totalmente restaurado e recuperado.
Em 1976, professores do Departamento de Estudos Sociais da FUCRI incentivaram alunos a recolher ferramentas, instrumentos agrícolas, objetos antigos, fotos, cartas, roupas e móveis, além de utensílios domésticos. 264 peças foram coletadas em gincana realizada pelo Colégio Madre Teresa Michel. O acervo foi catalogado e entregue à FUCRI. Outros 252 objetos foram obtidos mais tarde e incorporados aos primeiros.
Em 1994, a FCC colocou o Museu à disposição dos alunos dos Cursos de Geografia e História da UNISUL, mediante convênio formalizado com aquela instituição.

PROJETO MEMORIAL DA
CIDADE DR. DINO GORIN
I
Projetado pelo arquiteto Manoel Coelho e inaugurado a 6.1.1981 no Parque Centenário. É marco das cinco etnias formadoras do município. Italianos do Treviso, Beluno e de Bérgamo chegados em 6.1.1880. Poloneses em 19.10.1890, Alemães final de 1890, Negros em 1905 para trabalhar na Estrada de Ferro e na extração de carvão mineral e Portugueses representados pela minoria açoriana. No Memorial, as colunas que representam as etnias medem 33,70 m, 25 m, 17 m e 14 m. No subsolo há uma sala de 502 metros que recuperamos, invadida pelas águas que se achava. Painéis em cerâmica homenageiam os grupos étnicos que consolidaram nossa cidade com motivos típicos tendo ao lado o nome das primeiras famílias de imigrantes. A obra é dos falecidos artistas plásticos Jussara Guimarães e Gilberto Pegoraro. Por ocasião da entrega do Memorial estava presente à cerimônia a família do Dr. Dino Gorini, falecido em 21.7.1988, tendo à frente Dona Augusta Trento Gorini, viúva do saudoso e benquisto médico.

Próxima semana conclui LAERSON NICOLEIT

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