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Henrique Packter

LAERSON NICOLEIT, primeiro médico na Fumaça

08/12/2018

O Hospital Santa Catarina, Eduardo Pinho Moreira & Acélio Casagrande
Contam-me da cerimônia que marcou a entrega à população da nova ala do HMISC. Apesar de inaugurada, ela só entrará em funcionamento em 17 de dezembro. Com mais de 4 mil metros quadrados, o local vai passar por um período de higienização e teste, além de capacitação dos profissionais.
São novos leitos e a obra também contemplará seis leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal no antigo prédio, instalação de torre de vídeo para cirurgias ginecológicas e pediátricas. Também o Banco de Olhos funcionará no local. O Governador Eduardo Pinho Moreira discursou, exaltando merecidamente o trabalho do Secretário Estadual da Saúde, Acélio Casagrande. Grande responsável pela obra é a pessoa que, lá atrás, deu início a tudo, mandando adquirir o prédio que pertencia a Santos Guglielmi. No auge de sua fala, Moreira teria reivindicado a descoberta dos talentos de Acélio para o mundo político. Mutatis mutandi a mesma coisa que Waldemar de Brito com relação a Pelé.
Na fala governamental, Eduardo Pinho Moreira teria referido como escolhera Acélio Casagrande para a Secretaria Municipal de Saúde, quando Prefeito de Criciúma em 1994.
POLÍTICA NO ATACADO
Bom, nesse assunto tenho alguma coisa a dizer se, para tanto, me derem licença. Isso, correndo o risco de suceder-me o que sucedeu com Brizola, candidato a governador do RS lá por 1958.
Teria havido um namorico comunista com o PTB no pleito de 1958 no RS, não bem correspondido por Brizola? Na verdade, o PCB emitiu manifestação de apoio ao partido trabalhista. Entrevistado logo depois, Brizola disse que não aceitava o apoio. A resposta veio noutra entrevista de Luiz Carlos Prestes, secretário-geral do PCB, celebrizado como Cavaleiro da Esperança. “A opinião do senhor Brizola sobre nosso apoio é irrelevante. Vamos apoiar o melhor candidato, e o melhor candidato é ele”, vociferou Prestes.
POLÍTICA NO VAREJO EM CRICIÚMA
Quando a chapa do PMDB para Prefeito e Vice da cidade foi proclamada em 1992, havia um certo enfrentamento entre os dois grandes hospitais da cidade. Isto é coisa natural em se tratando de grupos que buscam a hegemonia no atendimento médico. A engenharia política do PMDB, posta a serviço de go- vernar a cidade, contemplava dois médicos do Hospi-tal São João Batista: Eduardo Moreira (PMDB, para prefeito) e Anderlei Antonelli (PSDB, para vice). Aos médicos do Hospital São José parecia algo inaceitável.
Eduardo conversa separadamente com os médicos de ambos os hospitais. Ao término das conversações promete a Secretaria da Saúde para Luiz Augusto Borba, o Guto Borba, médico do Corpo Clínico do Hospital São José. E assim, foi. Ocorre que as coisas passam a não andar como deveriam andar e Guto Borba pede as contas. Criava-se grande impasse, porque nenhum outro médico do São José queria aceitar o cargo, em substituição a Guto.
Reúnem-se na Prefeitura todos os Secretários do governo municipal, prefeito e vice, os presidentes das duas Fundações (Cultura e de Esportes). Na condição de Diretor-Presidente da Fundação Cultural, também compareci à reunião.
Que fazer? A quem entregar a gerência dos negócios da Saúde Municipal?
Todas as alternativas foram consideradas, enquanto célere o tempo corria naquela manhã de sexta-feira. Meus pacientes-impacientes aguardavam no consultório do Centro Médico São José da rua João Cechinel.
À reunião também compareceu Acélio Casagrande, fiel escudeiro de Eduardo Moreira. Ansioso para retornar ao meu consultório disse a Eduardo que o Secretário não precisava ser Médico, Odontólogo, Farmacêutico ou Bioquímiico. Nem sequer precisava ser pessoa da área da saúde. Lembrei que o melhor Secretário da Saúde que o Rio Grande jamais tivera em sua história foi um radialista de Passo Fundo, pinçado por Brizola. Este obscuro personagem erradicou a tuberculose no Estado e construiu Postos de Saúde por todo o Rio Grande. Seu nome? José Lamaison Porto.
Acélio Casagrande era muito jovem, contava 33 anos, idade plena de rica simbologia e talvez nem integrasse o perfil ambicionado para o cargo. Mas estava ali e preenchia outros importantes requisitos: era trabalhador, homem do partido e de fidelidade inconteste a Eduardo Moreira. Falei qualquer coisa, ressaltando que se tratava de buscar uma solução de emergência, algo como aquela velha história de acomodar melancias no caminhão que se desloca.
Disse a Eduardo que, para mim, o jovem Acélio Casagrande era sua melhor opção e escafedi-me.  Acélio, por muito tempo, chamou-me de padrinho.
LAERSON NICOLEIT
Fico com a impressão de que já escrevi sobre este assunto, mas ele é de tal forma apaixonante que volto a ele, esperando que ninguém perceba.
NICOLEIT nasceu a 29.11.1940 (Tubarão) e faleceu aos 57 anos em 7.6.1997 (Fumaça) e Claudino Biff faleceu aos 66 anos na Fumaça (19.08.1932, 28.10.1998). Mais contemporâneos impossível. O médico foi professor do Colégio Pio XII, para todas as séries, Florianópolis 1969. Médico pioneiro Morro da Fumaça, Diretor do Posto de Saúde, Secretário da Saúde do município fumacense. Pioneiro também em Treze de Maio, SC, 1971. Médico pioneiro Posto de Saúde e Secretaria da Saúde, Treze de Maio, SC, 1971. Médico efetivo e Diretor-Clínico Hospital Frei Rogério, Anita Garibaldi/SC, 1971. Membro Comissão de Desenvolvimento Municipal de Anita Garibaldi, 1971. Professor Curso Técnico do Colégio de Anita Garibaldi, 1971. Médico Credenciado do INAMPS, 1971, Anita Garibaldi, SC. Militar da Ativa (Exército), 20.06.69 a 04.06.71, prestação de serviços em Florianópolis (duas vezes); Porto Alegre; Blumenau; Curitiba e RJ. Em LAERSON NICOLEIT chega a Morro da Fumaça (1972) para iniciar prestação de trabalhos médicos na localidade, até sua morte em 1977.
Presidente Comissão Municipal do MOBRAL, Morro Da Fumaça, SC, 1972. Médico Pioneiro, fundador, construtor, organizador, Diretor-Presidente Hospital de Caridade São Roque, Morro da Fumaça. Médico Pioneiro e organizador do Hospital de Luiz Alves, SC.
Convidado Especial do Governador de SC, Jorge Konder Bornhausen, participa da Comissão de Estudos da Situação dos Hospitais em SC. Vice-presidente Associação Catarinense de Medicina, Regional Zona Carbonífera. Secretário Municipal de Saúde, Morro da Fumaça, SC, 1996 a 1997, convite do prefeito e particular amigo Claudionor de Vasconcelos. Era o ano de seu falecimento.
Em 1973 existiam apenas cinco, talvez seis olarias na região. Desde essa data, a atividade cerâmica torna o município conhecido. O RS compra tijolos na Fumaça (Pe. Claudino Biff). Em 1985 NICOLEIT retorna aos bancos da faculdade. Durante 5 anos frequenta a UNISUL, formando-se em Direito, na primeira turma deste curso. Torna-se professor na mesma Universida-de, onde também foi nome de turma.
Escritor e poeta, publicou artigos em jornais e revistas. Escreveu livros de poesia: DIÁFANOS e POEMAS DE UM SONHADOR.
O primeiro médico a se instalar e residir no município foi Laerson Nicoleit. O primeiro prefeito, nomeado pelo governador Celso Ramos, foi Auzílio Frasson (1962/1963). O primeiro prefeito eleito nas urnas foi o cartorário Jorge Silva (PSD, 1963/1969, bisando em 1977/1983). O primeiro pároco foi o Padre austríaco Francisco Koerner. A comunidade religiosa era até então atendida pelo Cônego João Dominoni, que, já doente, pediu seu afastamento. O primeiro presidente da Câmara de Vereadores foi Fernando Zanatta, que hoje tem na cidade busto e praça em sua homenagem. Uma curiosidade: Miguel Medeiros Esmeral-dino foi um dos vereadores eleitos na primeira legislatura. Depois residiria em Criciúma, trabalhando no Grupo Freitas e se elegendo/reelegendo vereador desta vez por Criciúma.
(Fontes: Morro da Fumaça, Passado e Presente, Ide Maria Salvan Maccari e Imigração Italiana, Mons. Agenor Neves Marques, Morro da Fumaça e sua Divina e Humana Comédia, Padre Claudino Biff. Crônicas da Diocese de Tubarão, Padre Claudino Biff).
PADRE CLAUDINO BIFF
Padre, escritor, poeta e historiador, faleceu relativamente cedo, vítima de parada cardíaca. Velado na Igreja Matriz São Roque, foi sepultado no Cemitério Municipal da cidade. O padre submetera-se a duas cirurgias de ponte de safena, possuía um marca-passo e nos últimos meses realizara angioplastia e cateterismo em Florianópolis.
Claudino é filho do Intendente Leandro Simon Bif e Idalina Macari, neto de Bortolo Bif e Hermenegilda Simon Bif, de Agostino Maccari e de Teresa Citadin Maccari. Ordenado em 08.12.1958 aos 26 anos, rezou sua primeira missa na então nova igreja de Morro da Fumaça (14.12.1958). Era irmão do ex-prefeito e ex-presidente da Cooperativa de Eletrificação Rural, Paulino Bif. Deixou duas irmãs: Olga Bif Pelegrin e Selma Bif (religiosa, Irmã Anselma), da Paróquia de Tavares, RS, além da mãe, Idalina Bif, 89 anos.
Claudino residia em Tubarão. Bacharel em Filosofia, Teologia e Sociologia, escritor e historiador, escreveu vários livros, sendo que a primeira obra (publicada em 93) contava com bom humor a história de Morro da Fumaça, sob o título Morro da Fumaça e Sua Divina E Humana Comédia. Este livro é indispensável para entender a cidade e seus primeiros habitantes. Outros livros: Voos (poesias) Salmos da 25ª Hora, Ópera de Deus, Crônicas da Diocese de Tubarão, Credo de Maria Liberdade; Cântico do Irmão Lobo de São Francisco; Crônica da Diocese de Tubarão; Memórias de Nossa Senhora do Desterro e Seu jumento Macabeus (1994, Prêmio Pool Americana e Diário Catarinense); Raissa; Paixão de Jesus Cristo Segundo Seu Jumento Macabeus (Prêmio: 2º lugar Concurso da Fundação Cultural de Criciúma) e Jesus, o Galileu Passionário. Publicou várias poesias pela Unisinos (RS) e algumas delas foram incluídas na Coletânea 3ª Idade, da Fundação Viva Vida do Governo de SC.
Conforme Anna Vitória que prefaciou Ópera de Deus, Claudino acreditava na literatura como um novo nascimento do homem, da mulher e de um novo milênio. Escrevendo desde 1990, apontava O Pequeno Príncipe como sua fonte de inspiração. Membro das Academias de Letras de São José e de Urussanga.
1º CONCURSO LITERÁRIO CIDADE DE CRICIÚMA DA FUNDAÇÃO CULTURAL
Eu presidia a Fundação Cultural e Padre Claudino merecia o primeiro lugar na categoria Contos, segundo a Comissão Julgadora, por Paixão de Jesus Cristo Segundo Seu Jumento Macabeus. Havia, contudo, a exigência de não poder-se identificar o autor(a) das obras concorrentes antes da avaliação e nota final, coisa que não foi possível. Padre Claudino concorreu com um conto cujo título permitia identificar o autor, pelo personagem. Era o mesmo personagem, noutra roupagem e noutra história da obra sua, premiada com primeiro lugar em concurso do DC. O Jumento Macabeus ficara bem popular no Estado. A premiação em Criciúma foi a 27.8.1994, 24 anos atrás, e é da maior justiça e justeza enaltecer o trabalho da Professora IRIS GUIMARÃES BORGES, presidente da Comissão Julgadora do Concurso. Participaram 358 concorrentes de 48 municípios catarinenses, inscritos entre 1º.4.1994 e 31.5.1994. Foram 175 poemas (153 aprovados), 68 crônicas (37 aprovadas), 86 contos (46 aprovados).
Participavam da comissão julgadora expoentes no campo da literatura catarinense: Tânia Regina de Oliveira Ramos (Doutora em Literatura Brasileira, UFSC), Flávio José Cardoso (editor e jornalista do Diário Catarinense) e Lauro Junckes (Doutor em Literatura Brasileira da UFSC).      
Claudino, filho ilustre de Morro da Fumaça, sempre primou pelo resgate da cidadania da população carente. Nos últimos anos de vida, dedicava-se a trabalhar com dependentes químicos, palestrando para jovens drogados. Resultados deste trabalho estão num dos livros mais lembrados de Claudino, Raissa, uma viagem ao paraíso das drogas. É a história de moça italiana viciada e recuperada pelo padre, durante sua permanência na Itália por três anos, trabalhando como voluntário da igreja.
Exerceu o sacerdócio por 40 anos, e, mesmo aposentado, nos últimos anos auxiliava o Padre Arcângelo Bússolo nos serviços religiosos da paróquia São Roque. Como padre trabalhou nas paróquias de Tubarão, Laguna, Urussanga e por fim Morro da Fumaça, já aposentado.
Desde 1968, atuava como terapeuta de tóxico-dependentes, mas outras causas lhe chamavam atenção, como a defesa do meio ambiente. Padre Claudino era sociólogo, formado em Roma.
Quando de sua morte, o prefeito Claudionor Vasconcelos decretou luto oficial em Morro da Fumaça, por três dias.
(Fonte: Tribuna Criciumense, 1998 - p. 21)

Próxima semana continua Laerson Nicoleit

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