Ir para o Conteúdo da página Ir para o Menu da página

Henrique Packter

MÁRCIO ARCANGELO ZACCARON, primeiro Ginecologista especializado em Mastologia

14/07/2018

Zaccaron nasceu em Criciúma a 19.12.1952.
Neste mesmo ano, 6 de fevereiro, Elizabeth II sucedera a seu pai Jorge VI como Rainha do Reino Unido.
A primeira bomba de hidrogênio, a Ivy Mike, foi detonada em 1952 e a 4 de novembro o candidato republicano Dwight Eisenhower (Ike) elegeu-se presidente dos EUA. Nasceram, também em 1952, VLADIMIR PUTIN e NELSON PIQUET.
ZACCARON tem biografia rica, fecunda e polimórfica, abrangendo áreas como Política Partidária, Medicina, Vida Cultural da cidade, Cooperativismo, Política Médica, Administração pública sanitária, Direção Médica Hospitalar, Mídia rádio-televisiva, Esportes, Ensino Médico. 
Filho de Helena Mafioleti Zaccaron e de Orindo Zaccaron, fez sua formação Escolar, 1º ano, no Grupo Escolar Silva Alvarenga, Metropolitana, Criciúma; 2º ano, Escola Básica Padre Miguel Giacca, Rio Maina; 3º/4º anos e Ginásio, Grupo Escolar Professor Lapagesse, Criciúma.
Diretor do Departamento Cultural do Centro Estudantil OURO NEGRO do Colégio Marista, 1968.

Vice-presidente e depois Presidente do Centro Estudantil OURO NEGRO do Colégio Marista, 1969. Secretário Executivo da 1ª SEMANA do ESTUDANTE de Criciúma, 1969.

Segundo Grau (Científico), Colégio Marista, concluído em 1970. Foi Vice-presidente da Federação Catarinense de Desportos Universitários, Florianópolis, 1973 a 1976.

Terceiro Grau, Universidade Federal de SC (UFSC), Florianópolis, Curso de Medicina concluído em 1978.
1º Vice-presidente da FEDERAÇÃO CATARINENSE DE DESPORTOS UNIVERSITÁRIOS (FCDU), 26.11.1974 a 28.11.1977, Florianópolis.
Vice-presidente do CENTRO BIOMÉDICO DA UFSC, Florianópolis, 1974/1975.

Médico Estagiário Plantonista na Casa de Saúde de Rio Maina. Estágio médico voluntário em GINECOLOGIA e OBSTETRÍCIA na FACULDADE de MEDICINA da PUC, Porto Alegre, 01.07 a 05.12. 1978. Residência Médica na Especialidade Ginecologia e Obstetrícia, Hospital Nossa Senhora da Penha, São Paulo, SP, 1979/1980.

ESTÁGIO EM MASTOLOGIA -  ISTITUTO NAZIONALE PER LO STUDIO E LA CURA DEI TUMORI, MILÃO, ITÁLIA. De 11.1 a 10.2.1993, com atividades em CIRURGIAS DE CÂNCER DE MAMA, ambulatório e visitas de enfermaria.
Curso Pré-hospitalar TRAUMA LIFE SUPPORT, Florianópolis, maio/ 2005. ENCONTRO DE REMOÇÕES PEDIÁTRICAS/NEONATAIS DAS UNIMEDES de SC. MÉDICO DE REMOÇÕES INTERHOSPITALARES DA UNIMED, 2005 a 2015.

ZACCARON, médico GINECOLOGISTA e OBSTETRA, com atuação também em MASTOLOGIA, desde 1981 mantém atividades em consultório médico privado em Criciúma. Hoje, atende na área de GINECOLOGIA e MASTOLOGIA na R. João Cechinel, 168 – Centro Médico São José - Pio Corrêa, Criciúma - SC, 88811-500, Telefone 3433-0943.

ZACCARON E A UTI DO HSJ
Vice-Diretor Clínico Hospital São José, Criciúma, SC, 1981, a 29.5.1981 ocorreu o falecimento no HSJ do empresário e político catarinense Diomício Manoel de Freitas, 70 anos por complicações de acidente automobilístico na BR-101. Saindo de Criciúma lanchou em Cabeçuda (Laguna) seguindo rumo a Florianópolis. Dali viajaria ao RJ para reunião na CSN da qual era conselheiro. Mas, no KM 285, envolveu-se em acidente com 3 caminhões. Socorrido no Hospital São Camilo, Imbituba foi transferido para o HSJ de Criciúma, do qual eu era Diretor Clínico. Chegou às 16 horas de 28.5.1981 e faleceu na tardezinha de 29.5.1981, por embolia pulmonar.
Diomício faleceu apertando minha mão com força, o rosto crispado pela dor. No fundo do apartamento da primeira classe, quase defronte ao elevador ao lado do Centro Cirúrgico, Gilberto de Oliveira, fiel amigo e leal servidor de Diomício a tudo assistiu. Muitos anos depois, Gilberto atuaria com grande brilhantismo na Fundação Cultural de Criciúma, a meu convite.
Médicos do hospital, sobretudo aqueles diretamente envolvidos no atendimento de DIOMÍCIO, se questionaram:
- O desfecho teria sido diferente caso o hospital contasse com UTI?

ZACCARON foi Presidente da Regional Medica da Zona Carbonífera, Associação Catarinense de Medicina, Florianópolis, SC, 1983-1985/1985-1987.
No final da década de 80, a UTI do HSJ estaria construída e entregue à população. Hoje indispensável, a notável primeira obra deveu-se ao descortino do prefeito, depois vice-governador JOSÉ AUGUSTO HÜLSE e à Câmara de Vereadores de Criciúma, então presidida por WOIMIR LOCH. Devemos a UTI do HSJ, responsável por salvar tantas vidas, aos nossos políticos, médicos e direções hospitalares. Esta unidade nosocomial ficará como testemunha de que nossa geração médica não falhou com seu tempo e dizendo isto, digo o mínimo. 

A morte de DIOMÍCIO, ocorrida em Hospital que ainda não dispunha de UTI, suscitou prolongadas discussões, primeiro entre os médicos do Corpo Clínico e depois com a Direção Hospitalar. ZACCARON seria Vereador Criciúma-SC, 1993-1995. Primeiro vereador do PSDB no município, já em 1981 manifestava interesse em participar de atividades políticas, passando a dialogar com a classe política, especialmente com a vereança da cidade no sentido de construir uma UTI no HSJ. Assim, ZACCARON teve desempenho relevante na construção da primeira UTI do HSJ de Criciúma (1983/1989).

Em 1983 elegeu-se prefeito de Criciúma JOSÉ AUGUSTO HÜLSE (Zé Augusto), que logo tomou a si a solução do problema. A Câmara de Vereadores, presidida por WOIMIR LOCH, abriu mão de recursos de que dispunha em benefício do HSJ, possibilitando a construção desta indispensável unidade hospitalar.
Zé Augusto vinha quase diariamente fiscalizar o andamento da obra à qual tantos devem a vida, a recuperação da saúde.
A UTI foi inaugurada com placa comemorativa e tudo em cerimônia conduzida pelo então Diretor-clínico Rui Ghedin, cabendo a inauguração ao redator destas mal traçadas porque, na verdade, todo o processo de construção foi realizado quando eu estava Diretor-clínico do HSJ. Hoje, a UTI existente é bem diversa daquela.

O QUE É UMA UTI
O conceito de Terapia Intensiva (Intensive Care) vem da Guerra da Crimeia (1854), através de Florence Nightingale, separando para tratamento homens de mulheres, adultos de crianças, graves de não graves. A lamparina tornava-se  símbolo da assistência internacional da enfermagem e 12 de maio, data natalícia de Florence, dia mundial da enfermagem. Conhecida como a Dama da Lâmpada, circulava à noite com uma lamparina para avaliar clinicamente os enfermos. Condições precárias de assistência aos feridos nas guerras de então, faziam a taxa de mortalidade atingir 40% entre soldados hospitalizados. Florence e voluntárias por ela treinadas, incorporam-se ao atendimento nos Campos Otomanos de Scutari; a mortalidade cai para 2%. Estabeleceu a vigilância contínua, 24 horas, dia e noite. A criação da primeira UTI (ICU, Intensive Care Unit) ocorreu nos EUA, Boston, pelo neurocirurgião Walter Dandy (1927) com a criação de 3 leitos neuropediátricos pós-cirúrgicos. No mesmo ano, Philip Drinker criou o primeiro ventilador mecânico, o Pulmão de Aço. Hoje, estima-se que os EUA tenham 8000 Unidades de UTI e o Brasil, 3500. No Brasil, Ana Neri foi o símbolo da Assistência a feridos graves. Chamada Mãe dos Brasileiros, esta heroína adotou órfãos paraguaios, quebrando normas, para Salvar Vidas. Referindo-se às guerras entre humanos dizia: Em nome do Bem, já fez tanto Mal.

TRUCULÊNCIA NA UTI
(Já publicado quando se abordou a biografia de Agenor Silvestre).

Acomodado em leito de UTI, seu Almerindo se recupera de um infarto. Meio que dormita, ligado à parafernália de aparelhos, ignorando-lhes as serventias, mas a eles já habituado. Pior era o monitor cardíaco, aparelho que emitia intermitente BIP-BIP. Posto em sossego, um sonolento Almerindo viu-se arrancado de seu remanso por um BIIIIIIII do monitor do box ao lado. Daí, tudo mudou. Correria, gritos, palavras de ordem, palavrão. Um exército acode, dele sobressaindo forte e atlético doutorando que invade o box de Almerindo e sem mais aquela aplica-lhe um tremendo murro no peito. Dá-se conta quase logo do engano diante do berro indignado de Almerindo:
- Mas que merda é essa?
O exército todo vai se ocupar do vizinho. Seu Almerindo é sedado e, quando acorda, percebe que está de vizinho novo. Após as protocolares apresentações explica ao assustado recém-chegado os préstimos dos aparelhos, conectados ao novato.
- Prá que serve esse aparelho que faz BIP-BIP?
Seu Almerindo coça a cabeça, atrapalhado.
- Olha, sei não para que serve. Mas já pedi à enfermeira mais um travesseiro. Se tocar BIIIIIII, entra um bando de doidos dando porrada nos peito de todo mundo!

UTI, ATUALMENTE
Hoje, uma unidade de tratamento intensivo (UTI) ou unidade de cuidados intensivos (UCI) é estrutura hospitalar dotada de sistema de monitorização contínua que admite pacientes potencialmente graves ou com descompensação de sistema(s) orgânico (s) e que com o suporte e tratamento intensivos tenham possibilidade de se recuperar. Intensivista é o profissional que se dedica a esta modalidade de atendimento.
UTI, Unidade Semi-Intensiva e a Unidade Coronariana (UCO) são as 3 unidades do Centro de Terapia Intensiva (CTI). Na UTI, ficam os doentes mais graves, que requerem mais cuidados que na Semi-Intensiva. Já para a UCO, são mandados aqueles doentes que apresentam problema cardíaco.
A UTI oferece suporte avançado de vida a pacientes seriamente doentes que tenham chances de sobreviver; destina-se à internação de pacientes com instabilidade clínica e com potencial de gravidade. Ambiente de alta complexidade, reservado e único no ambiente hospitalar, já que se propõe estabelecer monitorização completa e vigilância 24 horas.
Doenças são muitas, o que torna difícil a compreensão de todas. Contudo, os mecanismos de morte são poucos e comuns a todas as doenças. Atuando diretamente nos mecanismos de morte o médico intensivista tira o paciente de um estado crítico de saúde com perigo iminente de morte, colocando-o numa condição que possibilite a continuidade do tratamento da doença que o levou a tal estado (doença de base).
Exemplos de doenças que levam à internação em UTI:
Infarto, Desconforto respiratório, Acidente vascular cerebral (AVC), Hipotensão arterial refratária.
É também função da UTI amenizar sofrimento como dor e falta de ar, independente do prognóstico.
Intensivistas são os profissionais que atuam nessas unidades complexas. A equipe de atendimento é multiprofissional e interdisciplinar, constituída por diversos profissionais: médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, farmacêuticos, terapeuta ocupacional, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, assistentes sociais.
Auxiliares de enfermagem não são admitidos no setor pela alta complexidade.
A partir da década de 30, as UTIs modificaram o prognóstico das doenças, reduzindo os óbitos em até 70%. Hoje todas especialidades utilizam-se das unidades intensivas, principalmente no controle de pós-operatório de risco.
Já houve, por parte da população, temor ao internar familiares nesta unidade hospitalar. Na época, o número de óbitos ocorridos em UTIs assustava pessoas mal informadas. Este número de óbitos tinha a ver com equipamentos e drogas deficientes, além de profissionais com formação inferior. Esta época passou e hoje as estatísticas comprovam a eficiência dessas unidades na recuperação da saúde e preservação da vida.  
É importante para o paciente e para família compreender a UTI como etapa fundamental para superação da doença e para aliviar e proporcionar conforto, independente do prognóstico. A equipe trabalha respeitando dignidade e autodeterminação de cada pessoa internada; estabelece e divulga a humanização nos seus trabalhos, procura amenizar os momentos vivenciados através do paciente e família.
A UTI é de grande importância para o avanço terapêutico, porém impõe nova rotina ao paciente, separando-o do convívio familiar e dos amigos, separação que pode ser amenizada através das visitas diárias. Outro aspecto importante é a interação família-paciente com a equipe, apoiando e participando das decisões médicas.
 

Próxima semana continua MÁRCIO ARCANGELO ZACCARON

Últimas de Henrique Packter

Veja mais